Segunda-feira, 29 de Março de 2010

O líder do Bloco de Esquerda afirmou que Armando Vara ganhou em 2009 duas vezes mais que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o ex-administrador da PT, Rui Pedro Soares, "oito vezes mais". Estas comparações são confusas. Afirmar que A ganha mais que B pode significar que: primeiro, A ganha muito e B ganha pouco. Segundo, B ganha muito e A não merece ganhar tanto ou mais que B. Terceiro, que ambos ganham muito. E quarto, que, apesar de A ganhar mais que B, ambos ganham pouco. Para esclarecer a confusão era bom saber se as actividades, o tempo de trabalho e a responsabilidade específica são semelhantes. Quando comparamos um presidente de uma nação, mesmo que seja o dos Estados Unidos, a um director executivo de uma grande empresa, o presidente tem, por definição, de ganhar menos. Armando Vara, por mais socialista que seja, está no negócio bancário para ganhar dinheiro ao contrário de Obama, que é presidente dos Estados Unidos por razões muito mais complexas. Para mim escandaloso não é que Rui Pedro Soares tenha ganho oito vezes mais que Obama, mas ter ganho quatro vezes mais que Belmiro de Azevedo. Também me parece injusto que Obama ganhe pouco mais que três vezes o salário do nosso presidente. Tendo em conta o tamanho do país e a população de ambos os países. Já para não dizer que um presidente num sistema presidencialista trabalha muito mais que num outro como o nosso. Mas voltando ao inefável Francisco Louçã, julgo que não devem comparar os ganhos monetários das pessoas assim, só para afirmar uma ideia de suposta moralidade salarial que nunca existiu nem existirá. E sobretudo porque é entrar no inferno. Saberá Loução que Ronaldo ganha mais num mês do que todos os médicos juntos do IPO num ano? Que um mês de salário de deputado dá para alimentar dez famílias na Somália durante uma legislatura? Que com o preço dum Ferrari pagávamos os estudos de três estudantes de medicina, vinte de engenharia ou comprávamos trinta Fiat seiscentos? Pois. Não é por aí, senhor doutor, que compreendemos o mundo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
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