Terça-feira, 6 de Abril de 2010

Não foi tanto o homicídio de Eugene Terre'Blanche, líder da extrema-direita sul-africana que movimentou os serviços noticiosos internacionais como as declarações de Andre Visagie, secretário do Movimento de Resistência Afrikaner, que desaconselhou os países a "enviar as suas equipas ao Mundial". "É uma terra de assassinos. Não o façam se não tiverem protecção." Depois destas palavras aconteceu uma mudança na ordem mundial que o jornalismo rege ou, nalguns casos, apenas expressa. A probabilidade de que este assassínio possa perturbar o próximo Mundial de futebol aumenta a importância, o interesse e a dimensão da notícia. Começou por estar na primeira página. Os pormenores foram dados na secção Internacional, a que naturalmente pertence, caso não vivamos na república sul-africana. Se não houvesse mais desenvolvimentos pertinentes, ali acabaria por deixar de existir, como acontece com qualquer notícia. Mas esta tem um ou vários jokers. O Jornal de Notícias percebeu isto. No exemplar de hoje temos nas notícias do Mundo que o funeral de Terre Blanche será na sexta-feira. Mas, para quem queira aprofundar o tema, basta ir à página desportiva. Ali, quem estiver preocupado com a realização do Mundial, poderá ficar inquieto porque “a real percepção dos efeitos da morte de Terre'Blanche só hoje deverão ocorrer”. Acontece que estes dias foram feriado nessa terra. Mas esperam possíveis retaliações. Em Portugal, a Federação Portuguesa de Futebol não irá para já reagir formalmente aos incidentes verificados na África do Sul. E tudo isto na página de desporto. Surpreendeu-me a falta de profissionalismo de terem relegado para a secção de Economia as previsões dos custos de segurança, caso os nossos futebolistas precisem de protecção. Ou as previsões de perdas, caso acontecesse o pior e o Mundial não se realizasse. E, já agora, previsões de lucros, caso se realizasse. Desta vez com um atractivo suplementar, que é a aventura de ir. A adrenalina de estar num sítio em que as tensões raciais podem em qualquer momento vir ao de cima. Não esquecer que estaríamos na terra onde o rugby está em primeiro lugar. Acredito que a maioria dos pretos e dos brancos sul-africanos se estejam a borrifar para o futebol: uma competição que só podiam ganhar com bruxaria. Bem feito para Joseph Blatter, o patrão da FIFA. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:53
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