Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

Podemos concluir coisas importantes depois de termos ouvido as audiências da comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura. Não é preciso mencionar a mais óbvia. Mas mesmo assim e, se fazem favor, tentemos ser mais positivos e admitir nela alguma utilidade. Por exemplo, ainda podemos dividir o mundo em dois. Esta comissão de ética lembrou que ainda só pode haver branco e preto, bem e mal, verde e encarnado ou azul contra o verde e o encarnado. Isto é muito bom porque podemos regressar à nossa infância. Estamos habituados desde pequeninos a tomar partido nas disputas em que só há duas partes. Quando há mais de duas, normalmente esperamos que expliquem as diferenças. Quero dizer que elas, as variadas diferenças, se resumem só a duas. Neste caso da comissão de Ética, confirmámos o yin e o yang da vida. Temos o yang dos queixinhas e o yin dos bufos. Os queixinhas são aqueles que se sentiram pressionados, desrespeitados ou simplesmente despedidos dos seus empregos. Pela sua parte, os bufos são aqueles que se sentiram ofendidos, difamados ou simplesmente gratos. Acredito que todos de alguma maneira são sinceros e possivelmente acreditam nas desgraças ou benesses que a vida, a política ou o seu profissionalismo lhes deu. Esta pomposa comissão parlamentar compostas de segundas figuras teve o mérito de nos mostrar as mágoas, os rancores ou a enorme e excessiva gratidão que os seres humanos podem expressar. Contudo, apesar de não gostar de queixas nem queixumes, quando se trata da liberdade de expressão e de outras, tenho um fraquinho por quem seja acusado de abusar delas. Da mesma maneira que tenho uma tendência para antipatizar com as pessoas que se ofendem ou mostram exageradas expressões de gratidão pelas bondades da vida. A liberdade é uma coisa que não se discute. Muito menos em público. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:06
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