Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

Além do Vaticano, a Grécia e o Taguspark, também a organização do Mundial na África do Sul precisa duma boa agência de relações públicas. O assassinato de Eugene Terre’Blanche, líder da extrema-direita, não ajudou muito. Os boatos de crispações raciais não tranquilizam o turismo desportivo ou qualquer outro tipo de turismo. A última noticia sobre o Mário Machado afrikaander, foi que a sua morte pode dever-se a problemas afectivos e não a falta de pagamentos de salários como se contava ao início. Parece que, apesar dos seus quase setenta anos, Terre’Blanche andava perdido de amores por um dos seus trabalhadores. Dizem que não era a primeira vez que isso acontecia. O homem era um sedutor. O número dois do grupo nazi até disse com um sorriso malandreco que, se tivesse sobrevivido, não seria tampouco a última vez. Terre’Blanche podia ser racista, mas em questões de sodomia não o podiam acusar de discriminação. Mas até que se apure a verdade, se foi ou não um crime passional, o Mundial está aí a chegar. Obviamente para o apaziguamento social é melhor que este crime tenha sido um incidente de faca e alguidar que um desfecho violento da exploração dos brancos africanos aos trabalhadores afro-africanos. Mas se tudo se acalmar, os visitantes naquela altura do ano vão ter de enfrentar mais um problema. Uma comissão oficial apresentou um relatório que prevê o roubo de setenta e cinco mil malas durante o Mundial. A estimativa de passageiros é de 450 mil. Segundo as minhas contas um em cada seis visitantes vai perder a sua mala. Estas informações chegam-nos quase três meses do começo do Mundial. É normal pensar que ainda podemos ter pelo menos mais duas ou três revelações desagradáveis sobre o país anfitrião. O que significa que se formos ao Mundial, além de ser muito provável perdermos uma mala e levarmos porrada na rua por termos cara de nazi, ou apenas por termos ganho à Costa do Marfim, ainda nos pode suceder alguma coisa incómoda que agora não sabemos. A África do Sul precisa de um gabinete de relações públicas urgentemente. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:35
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