Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

Sabemos que às vezes é difícil e ingrato, mas o nosso sistema de vida, ou uei ov laif como diriam os americanos, é aquele que, por agora, mais se parece connosco. Falo, claro, do capitalismo. Digam o que disserem, não pode se deixar de reconhecer que coisas boas acontecem por razões não necessariamente correctas ou altruístas, como querer ganhar dinheiro. No entanto, as consequências benignas da motivação maligna, que é a ganância, só podiam acontecer no nosso sistema. Por exemplo, as energias alternativas. Se não fosse a crise e os problemas com os países produtores de petróleo, ainda a indústria automotora estaria a empatar a pesquisa para encontrar o carro mais económico e menos poluente. A junk food altamente calórica e perniciosa, por causa do seu baixo preço safou muito boa, jovem e pobre gente. Há ainda outros sectores, que apesar de pouco recomendáveis não deixam de ser um exemplo de iniciativa e progresso, além de lucrativas. Por exemplo, a pornografia. Já há produtoras a filmar em 3D. Este enorme avanço foi por sua vez provocado por um filme hippie e ecológico e nem por isso menos lucrativo. Estes empreendimentos são exemplos do bom e do mau do nosso sistema, mas, julgo eu, com um ligeiro saldo a favor da humanidade. A última maravilha que encontrei é uma revista erótica, vá lá, porno, para cegos. Além do previsível texto em Braille tem imagens em relevo. Para nós, que vemos, não tem nenhum efeito. Primeiro o texto não se percebe. Depois as imagens são literalmente cinzentas e pouco atractivas à vista. Mas se fecharmos os olhos e tocarmos nas páginas podemos apalpar as formas voluptuosas de uma beldade dessas que normalmente vemos de longe ou em revistas. Nada mal. É um excelente avanço para o onanismo dos invisuais. Como é de imaginar esta revista não é de borla. Eu diria mais. Diria que é mesmo para invisuais bem instalados na vida. O preço é de 150 libras. Para nós, 187 euros ou para os mais velhos, trinta e sete contos e meio. Esta é a parte má do nosso sistema. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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