Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

O nosso presidente Aníbal Cavaco Silva voltou da República Checa. Já não era sem tempo. Esta deve ter sido a pior visita de estado feita alguma vez por um presidente português ao estrangeiro. Antes de esta viagem se realizar, parecia que ia ser mais uma dessas excursões diplomáticas e lobbystas. Do estilo vamos lá, falamos um bocado e tal, e os empresários portugueses aproveitam para ver o que podemos sacar deles enquanto os checos tentam perceber o que não podem sacar de nós, tudo numa boa, são só três dias, voltamos e cada um continua a fazer a sua vidinha. E, normalmente, com maior ou menor sucesso, estas viagens são assim. Dois pormenores estragaram tudo: o primeiro foi o presidente checo, Vaclav Klaus; uma espécie de nemesis do nosso Cavaco Silva. Vaclav Klaus fez um percurso similar: ministro das finanças, primeiro-ministro e presidente da república. A grande diferença do nosso é que o checo gosta de falar, dar espectáculo e armar-se em bom em público. Fez troça do nosso défice e perguntou como é possível os portugueses não andarem nervosos com ele. Foi uma situação difícil para o nosso Aníbal, que não está habituado a estes exibicionismos. Aliás, exibicionismos à parte, um anfitrião nunca faz nada que possa incomodar um convidado. Mas este checo é uma besta. Poderá ter razão em horrorizar-se com o nosso défice, mas que é nosso e só nós falamos mal dele. Não precisamos que um ex-membro do império austro-húngaro e ex-cortina de ferro ande a falar da nossa incompetência. Vaclav teve sorte porque o nosso presidente adora o protocolo e julga que as pessoas que governam outros países são todas boas. Senão, o checo podia ter recebido uma cabeçada. O segundo pormenor que estragou foi culpa da indomável força da natureza, neste caso, o vulcão Eyjafjallajökull (nome complicado de pronunciar mas não foi ideia minha). Por causa das filhas das mães das cinzas, o nosso presidente não pode sair desse pesadelo checo com elegância. Teve de sair de carro e levar toda a comitiva em autocarros alugados. Se há coisa pior que ser humilhado é não responder nem ter uma saída de cena elegante. Foram uns dias negros na história do défice português. Até os checos já falam dele. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:29
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