Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

É interessante a discussão que começou agora sobre os voos na Europa, que a pouco e pouco vão sendo autorizados. Muita gente, e não apenas o corajoso vulcanólogo português Victor Hugo Forjaz, do Observatório Vulcanológico dos Açores, acha um exagero as medidas de segurança que foram tomadas. O bom senso diz-nos que é melhor ficarmos no estrangeiro incómodos que irmos para casa mortos. No entanto, quando se começam a ouvir os gritos de “mariiicas!” aos que iniciaram esta prevenção aérea, isto obriga-nos a reflectir. Aliás, quando o nosso Durão Barroso começa a tirar a cinza do capote, é melhor carregar no stop. Ontem o nosso fugitivo ex-primeiro-ministro afirmou em Estrasburgo que o controlo dos espaços aéreos é da responsabilidade dos Estados-membros. Rejeitou desta forma as críticas à responsabilidade de Bruxelas neste caos provocado pelas cinzas vulcânicas. Acredito que tenha razão e não é nada bom. Suponho que um controlador em Copenhaga ou em Oslo, ao ver as cinzas pela primeira vez no radar ou no YouTube, tenha dito “ninguém se mexa!”. Este grito de terror deve ter sido ouvido em Amesterdão, Berlim, Bruxelas, e assim por diante. Ninguém tinha a certeza de nada, mas pelo sim, pelo não, repetiram o alarme acrescentando mais um ponto, do tipo: “meu Deus, nunca vi nada assim… Que ninguém se mexa!”. O controlador seguinte deve ter dito o mesmo acrescentando um “ainda bem que estou em terra, vou já ligar à minha mãe”, etc. No meio de tudo isto, o nosso Durão Barroso, com a audácia e a coragem que lhe conhecemos, deve ter ordenado em Bruxelas que, além de ninguém se mexer, era para dizer que o problema não era nosso. A malta toda de Bruxelas terá respirado de alívio. Sabemos que esta gente adora o Barroso. Alguém disse: “isto é pior que o 11 de Setembro!”. E, claro, adoraram a possibilidade de ser um desastre sem culpados. Entretanto, ninguém teve a ideia de enviar nem sequer uma asa delta para ver se as cinzas eram ou não perigosas. Passam os dias. A coisa começa a compor-se e alguém se lembra de perguntar afinal quem proibiu os voos. Todos assobiam para o ar mas quem assobiou primeiro foi o nosso Barroso. A comunidade europeia fechou o seu espaço aéreo durante uma semana e a União Europeia não tem nada a ver com isso. Como dizia aquele anúncio: “Há coisas fantásticas, não há?”. Fora isso tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:32
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