Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

É conhecida a longa discussão provocada pela questão da deputada Inês Medeiros, a sua residência em Paris e os custos das viagens. Finalmente, e por uma situação destas não estar prevista no regimento, o princípio da "igualdade estatutária dos deputados" fez com que houvesse um despacho para aprovar o pagamento das viagens da deputada a casa. Mas, obviamente, embora não me pareça óbvio que a Assembleia da República perca tempo com isto, o despacho de Jaime Gama foi à votação dos deputados. O resultado foi um empate. O PCP e, curiosamente, os ecologistas, nem sequer apareceram. Suponho que teriam alguma coisa mais interessante para fazer. O CDS absteve-se, talvez porque não era um problema de segurança nem um imposto novo. O PS votou inevitavelmente favor. É a sua deputada, e se há uma trapalhada a culpa é dele. Caso o despacho tivesse sido negativo, tenho a certeza de que o PS pagaria as viagens a Inês todos os fins-de-semana para poder estar com a sua família. O PSD e o Bloco votaram contra e isto, para mim, foi uma desilusão e uma surpresa. Não sei qual é a justificação para nenhuma das decisões. Foi só para chatear. Ou tentar que o PS pagasse as despesas. Se era isto, acho muito mesquinho. Entre colegas é coisa que não se faz. Felizmente, o inenarrável José Lello salvou a honra do convento com a sua golden share. Como ele é o presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República, o seu voto vale por dois. Não percebo por que não resolveu logo esta situação da deputada. Quero dizer, antes do PEC, do Orçamento, da Grécia e de todos estes bufos estrangeiros que falam da nossa bancarrota. Tinha poupado certos murmúrios sovinas. Mas pronto, está feito. Fico contente que tudo tenha acabado bem. Agora, o PSD e o Bloco, que unhas-de-fome. O estigma da inveja e da forretice pairará eternamente sobre eles. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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