Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

Foi um maravilhoso 25 de Abril. É só o que vos digo. Até o pormenor de ter calhado a um domingo foi um prelúdio da concórdia e da simpatia que dominaram esta celebração. O Presidente da República fez um auto-elogio absolutamente merecido, lembrando o alerta por ele feito há dois anos. Em 2008, Cavaco Silva tinha previsto a barraca que podiam dar os prémios e as remunerações dos CEO de empresas públicas. Tinha razão e os governantes foram suficientemente irresponsáveis por permitir que essa informação delicada se tornasse pública. Para quê? Para provocar inveja? Para comparar o tamanho dos prémios? Para incitar a uma revolta dos assalariados contra os premiados? Nada de bom pode sair do conhecimento de uma verdade que nos revela que há pessoas que depois do dia quinze de cada mês continuam felizes e despreocupadas. É assim que começam os conflitos sociais. O Diário de Notícias contou dezanove greves nos próximos três dias. Não digo que a culpa a tenham os ditos prémios, mas também não ajuda nada. Mas voltemos à alegria da festa. Cavaco esteve positivo e lembrou que temos de encontrar soluções. Apelou à criatividade. Quem não gosta dela? Como podemos não apelar a ela? E lembrou a nossa vocação marítima. Vocação que não percebo porque é que foi esquecida. Há séculos que invadir Espanha está fora de questão. África do norte, nem pensar. Pelo menos até que não saibamos se podemos contar com os famosos submarinos. Só temos o Oeste para nos expandir. A Madeira agora está um amor, desde que sabe que o continente a ama. Os Açores só querem ser úteis e estão fartos de produzir produtos lácteos. Hello? O outro momento alto foi protagonizado por Aguiar-Branco, que provocou risos à esquerda ao tentar apoderar-se de frases famosas ditas por famosas estrelas da esquerda, como Lenine ou Rosa Luxemburgo. Teve graça e tem razão. É sempre possível encontrar uma ideia ou uma opinião inteligente em qualquer pessoa de qualquer ideologia. Suponho que até Goebbels deve ter dito nalgum momento que gosta muito de ler ou que o cinema junta o melhor da indústria com o melhor da arte. Sei lá. O que não é aceitável é, na Assembleia da República, e em transmissão directa para todo o Portugal, tentar promover Sérgio Godinho. Uma coisa é manipular as ideologias; outra é impor-nos o seu gosto musical. Isto para mim é inaceitável. Que Aguiar-Branco oiça o que quiser, mas por favor não partilhe. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
Comentar

Comentários:
De Ana Cristina Leonardo a 27 de Abril de 2010 às 02:49
concordo sobretudo com a parte do sérgio godinho embora não tenha percebido bem a que te referes. O aguiar-branco também o citou?!


De Carlos Quevedo a 28 de Abril de 2010 às 09:14
Aguiar-Branco citou Godinho, Lenine e Luxemburgo. Tu estás no estrangeiro?


De ana cristina leonardo a 29 de Abril de 2010 às 14:13
estava no luxemburgo na altura


Comentar post

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO