Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

A propósito do novo estatuto do aluno, foi para mim uma surpresa saber que a bandeira e o hino não estavam incluídos no quadro de referências que devem ser respeitados pelos alunos. Congratulo os responsáveis por esta decisão corajosa e audaz. Se calhar, como a bandeira e o hino aparecem acompanhados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Convenção sobre os Direitos da Criança e outras convenções similares, a coisa passa sem grandes polémicas. Mesmo aqueles que podem desconfiar desta inclusão dos símbolos pátrios na escola calam-se porque confundem-na com algum outro direito. E a malta está sempre mais disposta a aprovar tudo o que seja direitos das pessoas. Pelo sim, pelo não, é melhor não fazer muita barulheira sobre o assunto. Confuso para mim é a obrigatoriedade para o pessoal docente e não docente da estabelecimento escolar, incluídos os alunos, de participação ao director “de comportamentos susceptíveis de constituir infracção disciplinar". As infracções disciplinares pode ser mais que as mães. Também podem ser da mais diversa gravidade ou insignificância. Admito que um professor não deixe passar uma delas nem outro as seleccione segundo um código pessoal, mesmo que seja excêntrico e veja nos nós das gravatas um acto de insolência e nos combates corpo a corpo uma maneira de aprender a dureza da vida. A arbitrariedade até faz parte da vida. O estranho é querer incluir neste esquema de prevenção ou de flagrante delito a participação dos alunos como denunciantes. Acredito que pode ser útil em certas circunstâncias como o tão falado bullying ou abusos dos mais fortes sobre os mais débeis. Mas na maior parte dos casos duvido que a denúncia entre colegas seja educativa ou sequer moralmente justificável. Suponho que mais uma vez dependerá do critério das autoridades de cada estabelecimento escolar. Pode acontecer que se fomente a denúncia para poupar trabalho ou que se ignore pela mesma razão. Mas o carácter obrigatório da denúncia para os alunos pode provocar um problema grave entre as crianças. O conceito de lealdade e companheirismo entra em conflito com os valores de obediência e respeito pela autoridade. Sinceramente, não gostaria de voltar à escola nestes dias. Podem estar a criar monstros ou imbecis. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:04
Comentar

Comentários:
De Capela a 5 de Maio de 2010 às 22:24
E tens toda a razão.
A escola cada vez mais forma de tudo menos adultos responsáveis.


Comentar post

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO