Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

A imprensa italiana noticiou a decisão de um tribunal em resposta à queixa de uma associação de defesa dos direitos das crianças contra um casal adoptante que só queria adoptar meninos brancos ou europeus. O tribunal considerou a atitude do casal discriminatória. Quer isto dizer que um casal que adopte não pode exigir um tipo de etnia particular. A presidente executiva do Instituto de Apoio à Criança, Dulce Rocha, não gostou e afirmou que era um entrave à adopção. Isto depois de o Supremo Tribunal de Justiça italiano ter proibido os casais de solicitarem menores especificando a sua raça ou a origem geográfica. Para Dulce Rocha, o facto de uma pessoa se recusar a adoptar um negro, um cigano ou um chinês “não quer dizer que seja racista”. “Pode solidarizar-se com pessoas de outras etnias e não querer um filho”, e estou a citar, “multicolor”. Suponho que terá querido dizer que não queria uma família multicolor. Não posso estar mais de acordo com ela. No entanto, deve haver um buraco qualquer na lei de adopção para que um tribunal, que por uma vez não seja português, decidir de uma maneira tão estúpida. Se os tribunais fossem todos como o italiano, a Angelina Jolie não podia ter tido um cambojano, um etíope e os outros filhos exóticos. Só a ideia de ir à China adoptar um chinês e nos derem um branco qualquer que foi abandonado por um casal espanhol em Xangai é deprimente. Também não teria existido a fabulosa Josephine Baker mais os seus doze filhos, onze dos quais eram de diferentes nacionalidades. Nem Mia Farrow, que igualou a Josephine também com doze adopções embora menos etnicamente imaginativa. Mas ganhou em filhos por ter adicionado três biológicos. Como diz a sábia Dulce Rocha, há casais que querem exibir a adopção e outros que querem que passe despercebida no grupo familiar. Para os juízes italianos esta última opção é equivalente a pertencer ao Ku Klux Klan. Mas como dizia, no fundo é bom saber que os italianos também têm juízes ridículos. Sentimo-nos menos sozinhos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:08
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