Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Houve uma altura em que só ouvíamos histórias que mostravam o lado sórdido do uso da Internet, dos telemóveis e de todas essas coisas que utilizamos. Uma empregada que é despedida pelo seu chefe via Facebook. Uma relação acabada numa troca de sms. Engenhocas no telemóvel que servem para vigiar um marido ou uma mulher. Enfim, só coisas antigas numa versão high-tech. Não sei se foi ou não propositado, mas começam agora a haver estudos que nos falam que o demoníaco mundo moderno pode ser uma maravilha. Li que foi provado num estudo feito por uma Universidade dos Estados Unidos que o tratamento telefónico da depressão é quase tão eficaz como o frente-a-frente. Já tinha ouvido falar de psicanalistas muito cool, que fazem sessões em vídeo-conferência via Skype. Sabia de pacientes desesperados que ligavam aos seus psiquiatras a qualquer hora do dia ou da noite. Mas saber que uma terapia funciona sendo sistematicamente telefónica parece-me uma excelente notícia. Estou convencido de que os problemas de trânsito e a ineficácia dos transportes públicos se resolvem não saindo de casa. Saber que uma terapia tão melindrosa com pacientes depressivos, normalmente muito carentes, se pode resolver por telefone é, repito, uma boa notícia. Simultaneamente, noutra universidade americana, comprovou-se que em situações de stress um telefonema da mãe sobe os nossos níveis de uma hormona muito agradável chamada oxitocina. Estes níveis ficam tão altos como se fosse a própria mãe que estivesse ali a dar um beijinho na bochecha ou um desses abracinhos que fazem tão bem quando estamos muito mal. Não sei se estes dois estudos foram pagos por alguma empresa de telecomunicações, mas desde que sejam fiáveis e os resultados benéficos funcionem também fora dos Estados Unidos, por mim nada contra. Podermos ser curados e reconfortados por telefone sem metermos pela cidade às horas de ponta, de manifestações ou de visitas papais, é para mim um grande passo civilizacional. Quando pudermos ir de viagem sem sair de casa vai ser perfeito. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:49
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