Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Ainda não se sabe como se vai fazer, mas parece iminente que não vão cumprir as promessas eleitorais. Já não era sem tempo. Com tanta crise a transbordar em todos os jornais da Europa, era de esperar que o nosso governo tivesse a coragem de romper com os seus compromissos eleitorais. Achava muito estranho que assim não acontecesse. Depois de todos estes anos a ser enganado pelos sucessivos governos, só me faltava que este cumprisse com aquilo de a crise estar sob controlo, que os impostos não vão ser aumentados e que a factura será paga pelos bancos e grandes grupos financeiros. Agora a questão é saber se vai doer ou se nos vão ludibriar com jeitinho. Gostei de Alberto João Jardim a sugerir que se acabem com as fundações, comissões, entidades reguladoras e afins, que não servem para nada, e que custam mais que alguma vez saberemos. Era uma medida que não incomodaria a grande massa contributiva, que somos nós, e só mandaria poucos para o desemprego. Embora esses poucos, por definição, não precisassem tanto. Uma das condições para fazer parte destes organismos é ter outra fonte de ingressos. Por um lado, é mais elegante e por outro, ninguém chega a cargos tão bem renumerados sem ter dinheiro. Eu sei que é um pouco complicado, mas o sistema funciona assim. Outras das coisas de que gosto nestes dias economicamente difíceis são as explicações que nos são dadas. Já não basta a situação mundial, com a Grécia de pantanas ou Bruxelas a chagar-nos o juízo. Agora temos uma fórmula mais retoricamente elaborada que tem o poder mágico de safar das responsabilidades não só o governo, que tanto necessita de se inocentar, mas também a oposição, que com tanto carinho e esmero está tentar não se queimar ou conspurcar com este drama financeiro. A fórmula usada é a seguinte: “situações excepcionais, como esta crise, podem obrigar a medidas excepcionais”. A frase é épica, mas ao contrário das histórias épicas, desta todos saem com vida e protegidos. Ou seja, esta é a melhor maneira de dizer que, a partir de agora, vale tudo. Até tirar olhos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
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