Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Apesar de tudo, tolero os intolerantes que por várias vezes se queixaram da visita de Bento XVI ao nosso país. Acredito que se pode ser ateu, agnóstico ou anticlerical, ou tudo ao mesmo tempo, desde que haja o mínimo de educação. Baixos assinados, manifestos e todas estas manifestações pouco hospitaleiras e muito sem sentido aguentam-se. Menos suportável foi uma notícia dada pela Lusa que afirmava que centenas de pessoas que esperavam pelo Papa na rua de Belém mostraram-se desiludidas por Bento XVI não ter olhado para elas quando entrava no Palácio de Belém. Segundo a notícia, à chegada ao Palácio de Belém, o líder da Igreja Católica olhou apenas para os oficiais da GNR, sem dirigir o olhar às centenas de fiéis que o aguardavam no local. Segundo a agência oficial portuguesa houve então católicos que se sentiram mal amados pelo Sumo Pontífice de 83 anos, que tinha chegado três horas antes de uma viagem de outras três horas, que tinha ouvido um discurso do Presidente, que tinha respondido a este discurso, que tinha ido em seguida para a Nunciatura para poucos minutos depois ir para os Jerónimos, onde sabemos que é tudo muito bonito, mas não é propriamente repousante. Menos de uma hora depois, Bento XVI estava a caminho do Palácio de Belém. Esta visita não só era de cortesia diplomática para com o Presidente, como também – que remédio – para conhecer toda a família Cavaco. Foi nessa altura, ainda não tinha entrado ao Palácio de Belém, que falhou o olhar por uns segundos às centenas de católicos, e a maravilhosa agência anotou o descontentamento dos fiéis, talvez a arrogância do Papa… Devem estar a brincar. Felizmente, já à saída, o Papa acenou mesmo aos católicos desconsolados. O gesto acabou por deixar mais contentes os ex-ingratos. Acredito que Bento estava mais bem disposto. Não por abandonar aquela família, que, segundo disseram, simbolizava todas as famílias portuguesas, mas porque ia por fim descansar um bocado; e, sobretudo, porque o esperava um almoço desses bons, feito por freiras, na paz da Nunciatura. Ali é que eu teria gostado de estar. A almoçar com o Papa e D. José Policarpo. Grande pinta. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:55
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