Terça-feira, 18 de Maio de 2010

Já devem ter ouvido a triste história do presidente da candidatura inglesa para o Mundial de 2018, David Triesman. Este homem, que também preside à Associação inglesa de Futebol, demitiu-se depois de o jornal The Mail ter publicado afirmações suas que teriam sido gravadas sem o seu conhecimento. Na gravação ouve-se Triesman a sugerir que a Espanha estaria disposta a renunciar à candidatura ao Mundial de 2018 e a apoiar a Rússia, se este país a ajudasse a subornar árbitros no Mundial de 2010, na África do Sul. Até aqui, nada que nos impressione muito. É sabido que no desporto profissional há muitas manigâncias. E, vendo bem as coisas, era um bom negócio tanto para a Rússia como para a Espanha. Se calhar, também estaria na mesa de negociações, que alguns juízes de linha beneficiassem Portugal. Mas tudo isto no fundo não é o mais importante. O que me assusta é esta proliferação de vinganças das ex-amantes, embora acredite que também há um ou outro mariquinhas que faz alguma coisa parecida ou pior, como tirar ácido na cara da ex-namorada. Mas o que é certo é que já não se acabam romances como antigamente, com dignidade e silêncio. A autora da gravação afirma que conheceu Triesman em 2008, e que teve uma relação sentimental com ele, que diz ter terminado por ele ser casado. No entanto, continuaram a ser amigos e foi num encontro há duas semanas, num restaurante, que ela fez a dita gravação. Até deve ter sido num restaurante caro. Se queremos gravar uma conversa temos de ir a um restaurante caro, que são mais silenciosos ou estão mais vazios. Isto é terrível, mas todos os homens que voltam a encontrar-se com ex-namoradas devem aprender com isto. A partir de agora devem revistar as carteiras, levar um detector de metais e passar a ir a sítios muito barulhentos. Caso não tenham capacidade de investir nestes meios de prevenção, é boa ideia nunca contar nada a ninguém. Devem voltar ao charme clássico do homem que não fala. Como o Donald Draper da série Mad Men. O homem não conta uma. Ninguém sabe nada dele. Por mais boa que seja a vítima, Draper está-se nas tintas para impressionar com as histórias do seu passado. Falar está fora de moda. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:22
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