Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

A relação entre Passos Coelho e José Sócrates começa a preocupar-me. Se o preço de fazer um acordo com alguém é estar a falar mal do seu associado, vou ali e já venho. Talvez seja uma moda. O presidente promulga contrariado. O primeiro-ministro faz um acordo mas insiste em dizer que há ideias que não são dele. Passos Coelho está constantemente a invocar o seu patriotismo para justificar o acordo, já para não falar do famoso pedido de desculpas, que foi acompanhado de um claro “não tenho a nada a ver com este desastre financeiro”. Nas famílias há uma regra de ouro. Os pais não falam mal um do outro à frente das crianças. Obviamente Sócrates e Passos não são um casal nem nós somos os filhos deles. Mas é horrível estar a ouvir o tempo todo que fizeram um acordo por causa de nós. Ainda por cima com ameaças de separação se acontecer isto ou se um inquérito der assado. Tinha sido mais saudável fazer acordos pontuais dos quais ninguém teria vergonha do que este acordo cheio de rancor e intimações. Já se sabe que os casais que ficam juntos sem amor mas pelos filhos normalmente provocam estragos irreparáveis. Nem quero imaginar o que pode acontecer com este casal com filhos imaginários. Não são um bom exemplo para ninguém. Muito menos para as crianças imaginárias ou não imaginárias, que são influenciáveis e, sejamos sinceros, muitas delas, estúpidas. Mas esqueçamos o espectáculo das desavenças deste casal que ninguém juntou. A questão é saber se, apesar do mau ambiente provocado por este acordo, vai servir para alguma coisa. Aqui as opiniões são díspares. Temos os optimistas que dizem que estas medidas não vão resolver coisíssima nenhuma. Outros mais moderados afirmam que isto só vai piorar a situação e que não há nada a fazer. Há pessoas mais realistas que, enquanto fecham as malas e têm o táxi à porta para os levar ao aeroporto, não duvidam em concordar com as iniciativas de Sócrates e de Coelho e prometem voltar daqui a três anos, se Deus quiser. Depois estamos todos nós. Graças ao governo tornámo-nos mais religiosos e esperamos que haja outra vida além desta num lugar maravilhoso onde não haja sócrates e em que os passos coelhos estejam proibidos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:04
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