Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Tenho alguma simpatia pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, a DECO. Gosto da revista, porque se pretende justa e bem intencionada. Tenta elucidar os leitores sobre os benefícios da poupança de energia, às vezes dá dicas certas sobre certos electrodomésticos, tenta esclarecer dúvidas e, como o seu nome o indica, tem como objectivo defender os direitos dos consumidores. No entanto, às vezes extravasa os seus limites e, tal como muitos ecologistas, místicos e pessoas convencidas de si próprias, confunde direitos com imposições e prefere a segurança do consumidor à liberdade do cidadão. O último exemplo do fundamentalismo desta gente foi-nos dado nas conclusões do estudo sobre o alcoolismo nos jovens. Parece que nos grupos observados mais de cinquenta por cento dos menores de 16 anos não tiveram problemas em comprar bebidas alcoólicas. A Deco responsabiliza, e com razão, a ASAE, que não fiscaliza o que devia, e sugere que a idade mínima para comprar bebidas alcoólicas devia aumentar ser 18 anos. Esta última medida já não me cheira bem. Nos tempos em que vivemos os jovens amadurecem mais depressa. E assim como muitas pessoas concordam em reduzir a idade que dá direito ao voto, a que os responsabiliza criminalmente, aquela com que podem conduzir, e muitos outros direitos e obrigações, parece-me que a idade para comprar álcool estaria naturalmente incluída. A sugestão da DECO vai contra esta tendência de responsabilizar mais cedo os nossos prematuramente amadurecidos jovens. Outra sugestão dada por esta Associação é aumentar o preço das bebidas alcoólicas, para, desta forma serem menos acessíveis aos nossos pobres jovens. Já conhecemos onde nos leva esta solução tão original de aumentar os preços: mais dinheiro para o Estado; encarecimento dos produtos; os alcoólicos ricos, jovens ou velhos, não teriam problemas em consumir, mas os pobres alcoólicos dos doze aos oitenta anos podem ser levados a uma vida de delinquência para poderem adquirir uma imperial, um copo de vinho tinto ou mesmo um uísque de Sacavém. A possibilidade de se iniciar um mercado negro e paralelo é mais que certa. Enfim, nem quero pensar no caos social provocado pela aplicação das soluções bem intencionadas da DECO, para afastar os nossos jovens da bebida, uma actividade mais nossa que o bacalhau. Espero que desta vez, ninguém os leve a sério. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:17
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Comentários:
De Miss Kin a 27 de Maio de 2010 às 19:49
Não se afasta os jovens da bebida, com regras para crianças, ensina-se-lhes a responsabilidade do beber...


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