Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

O vídeo que mostrava a despedida de Mourinho dos seus colaboradores em Milão… Mas quem estou eu a enganar? A despedida desgarrada de Mourinho e Matterazzi provocou reacções diversas. Não é normal presenciar um momento destes. Deveríamos recuar umas décadas e recordar as despedidas de familiares de emigrantes que partiam para longe, ou coisas dessas que já não se usam, como enviar tropas para África. Mas a questão é que toda a gente presenciou a lacrimosa despedida dos dois amigos. A minha mulher disse que eram os dois muito queridos. Não sei porquê, mas a minha mulher adora ver os homens a chorar, desde que não os conheça. O meu sobrinho, que está na idade de aprender, perguntou-me se eram bichas, e se eram qual fazia de mulher. Obviamente, respondi-lhe que não são gays e que os homens também podem estar tristes, chorar e até ficar abraçados, desde que mantenham uma certa distância da cintura para baixo e se possa sempre ver onde estão as mãos. Mas acrescentei que, se fossem gays, de certeza não ia ser o Materazzi a fazer de mulher. Nesse momento, o meu sobrinho acusou-me de ser preconceituoso. Lá por o italiano ser mais alto, não ia ser por isso que era mais homem que Mourinho. Enfim, foi uma discussão que acabou como sempre. Liguei ao pai dele para que o viesse buscar. O miúdo anda pior que o Ricardo Rodrigues. O comentário dum vizinho meu também deu para o torto. Disse-me que se o Mourinho estava assim tão triste devia ficar no Inter, que o dinheiro e a fama não valiam uma amizade como esta e começou a dar um exemplo que não ouvi porque fechei a porta acidentalmente mas com energia. Pela minha parte, fiquei com pena da gente do Porto e do Chelsea. Ou Mourinho não criou laços afectivos tão intensos como em Itália ou, a outra possibilidade, o homem fica sempre triste na hora da despedida, mas em Itália há mais repórteres que em Inglaterra e em Portugal. Não sei, mas se fosse amigo de Mourinho e numa despedida não me fizesse uma fita daquelas, ia ficar convencido que toda a nossa relação tinha sido uma mentira, e que afinal havia outro. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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