Quinta-feira, 13 de Março de 2008

As manifestações e os protestos populares, juntamente com os comentários de vários colegas meus, estão pouco a pouco a ter efeitos benéficos no Governo. Estes efeitos são inéditos na história da política portuguesa. Não se traduzem só em demissões e muito menos em remodelações ministeriais. Isso, claro, está fora de questão. É uma coisa ainda mais profunda. Os socialistas no poder estão empregar um método de governação diferente de qualquer outro jamais utilizado: a simpatia e as boas maneiras. Os primeiros indícios já foram detectados no último debate centrada no protesto dos professores. Depois de ser atacado pela oposição, o Governo falou de flexibilidade e reabertura do diálogo. Outro indicio: a ministra da Saúde foi à Anadia. Não fez nada de novo mas o Presidente da Câmara elogiou a sensibilidade e a seriedade de Ana Jorge em oposição ao seu antecessor. O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, o tal muito apreciado pelo meu colega Marcelo, reconheceu a alta taxa de desemprego em Setúbal e prometeu dar prioridade à sua solução. Até Vitalino Canas disse que "o PS deve saber ler a agenda de contestação ao governo". Quando é que ouvimos algo sequer parecido? De repente, os nossos governantes estão todos muito queridos. E sabem uma coisa? Eu estou a gostar. Perdido por cem, perdido por mil. Mais vale que haja falinhas mansas, um pouco de carinho, muita conversa, chá e simpatia… Se tudo vai continuar na mesma, ao menos que seja com jeitinho. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:21
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