Terça-feira, 1 de Junho de 2010

A Comissão Nacional do PS decretou finalmente que o partido apoia a candidatura presidencial de Manuel Alegre. Ainda não é claro se a decisão foi demasiado demorada ou se a candidatura de Alegre foi lançada cedo demais. Como tudo na vida, deve ter sido uma mistura de ambas. Contudo, socialmente e não só, é sempre mais bem visto chegar tarde que cedo. Mas claro que os alegristas tem a desculpa de que o Manuel antes de ser político é um poeta, e é sabido que os poetas não se dão bem com os usos e as formalidades da sociedade mundana. José Sócrates, de quem se pode dizer tudo, mas que ninguém pode acusar de ser tímido ou não partilhar as suas opiniões, deu a cara pela decisão. Garantiu, a quem duvidasse, que o seu apoio é "convicto". Quer dizer que entre Fernando Nobre e Manuel Alegre, prefere Cavaco Silva. Podemos chegar a esta conclusão estando atentos à escolha das palavras que utilizou quando anunciou a sua escolha. Sócrates disse que a decisão foi tomada com base na "ética da responsabilidade". Lembremos que na promulgação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o nosso Presidente também invocou a mesma razão. Já toda a gente percebeu que “ética da responsabilidade” é aquilo a que Álvaro Cunhal chamaria engolir um sapo. Só que dito assim fica mais elegante e ninguém se ri. Outro sinal da pouca graça que Sócrates encontra a estas presidenciais é ter dito que "a razão mais forte" que o leva a apoiar esta candidatura é a "visão progressista" de Manuel Alegre para o país. Esta afirmação é uma audácia. Que o candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda, e agora pelo Partido Socialista, seja o que tem aquilo que se diz uma visão progressista, uau!, é uma novidade. Isso é que é jogar forte. Sócrates está a apostar tudo no seu candidato. É bonito ver que as diferenças superficiais, que em tempos passados separaram os dois dirigentes socialistas, tenham sido superadas. Tenho vergonha de alguma vez ter imaginado que o governo não ia apoiar o poeta. Peço desculpa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:18
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Comentários:
De Neomiro a 2 de Junho de 2010 às 14:46
Há quem diga que comer sapos e rãs fortalece o carácter. Ainda assim, não vejo grandes efeitos no Sr. Engenhocas que nos governa. Pode ser que estejam mal condimentados, é sabido que os portugueses não são afamados por cozinhar anfíbios.


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