Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

Quando vi na televisão o comunista Ruben de Carvalho e o social-democrata Ângelo Correia a competir para ver quem condenava mais e com maior entusiasmo Israel, tive uma epifania. Será que as divergências político-partidárias eram resolvidas se tivéssemos um governo israelita em Portugal? Ou dito de outra maneira, se a oposição fosse toda ela israelita, os partidos podiam por fim chegar a um acordo para que quem estivesse no governo, governasse sem chatices? Desculpem lá mas a unânime condenação deste incidente internacional entre Israel, a Turquia, o Hamas e os que iam no barco é suspeita. A sensação que tenho é que assim como condenamos o tsunami que provocou tantas vítimas ou o furacão Katrina que destruiu Nova Orleães, toda a gente condenou logo o confronto entre Israel e suspeitos de atentar contra a sua segurança, sem saber mais do que aparecia nas notícias. É verdade que a intervenção israelita foi um grande erro de cálculo. Também é verdade que ainda não se provou se os barcos transportavam ou não qualquer material potencialmente perigoso. Mas quando no meio desta salgalhada de interesses internacionais quem sai a ganhar é um grupo declarado por todos os países das Nações Unidas como terrorista, alguma coisa está errada. Eu acho que desde que o Brasil e a Turquia fizeram um acordo com o Irão sobre o assunto das centrais nucleares, as regras do jogo da política mundial ficaram baralhadas. Ainda não há muito tempo falar do Brasil era Carnaval e caipirinhas. Até achamos graça que em Lisboa façam um festival chamado “Rock in Rio”. Coisa de putos, dissemos cá para nós. E agora, até já têm petróleo. Como cresceram! Depois vemos a Turquia. Lembro-me de ainda lhe chamarmos Império Otomano. Tempos. Eram o terror da Europa. Entretanto, foram-se embora e deixaram muitas recordações nos Balcãs, no Báltico, até na Grécia, que nunca foi a mesma depois deles. Depois estiveram no lado errado na Primeira Guerra Mundial e continuou a ser um belo país mas sem essa agressividade ancestral. Passou o tempo e veio a União Europeia. Não sei muito bem porquê, mas quiseram ser parte da Europa e a Europa assobiou para o lado. Ficaram chateados. Não sei quem os apresentou, mas, de repente, turcos e brasileiros fazem um acordo com iranianos. Parece uma piada que começa assim: um turco, Erdogam, um persa, Ahmadinejad, e um brasileiro, vamos fazer de conta que se chama Lula, encontram-se numa cimeira. O persa exclama: quero uma bomba! E o turco grita: quero entrar na Europa! E o brazuca diz: eu quero é bola, viu? Não sei como acaba a piada, mas o mundo está confuso. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:12
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