Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Quatro inspectores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica foram agredidos num bar em Salvaterra de Magos. Inesperadamente, responsáveis da ASAE afirmaram que foi uma situação "nada frequente”. Um comentário que só fala bem dos portugueses. Tenho a certeza de que mesmo nos momentos mais aziagos deste organismo de fiscalização, muitos portugueses podem ter falado mal, insultado e mesmo desejado, figurativamente, alguns males e desgraças a estes honestos funcionários destacados para tomar decisões antipáticas. Mas nunca, pelo menos até agora, passaram a vias de facto. Mesmo nos episódios das colheres de pau ou das bolas de Berlim a violência não foi usada como resposta a estes senhores. Isso prova a sensatez do nosso povo que, no fundo, tem sempre respeito por quem trabalha. E a malta de ASAE faz o que o seu trabalho obriga. Só não compreendo que este incidente tenha acontecido durante uma operação de fiscalização ao jogo clandestino. Para já, não percebo como se faz tal fiscalização. Quero dizer, como é que se verifica que um jogo clandestino está cumprir as normas? Se é clandestino alguma coisa esquisita pode acontecer pela simples razão de que é normal que as pessoas que organizam estas actividades são gente da pesada. Claro que tudo muda de figura se o tal jogo clandestino não for o que todos imaginamos: roleta, blackjack, meninas com decote a vender cigarros, fumo e muito álcool. O jogo clandestino também pode ser um grupo de vizinhos a jogar canasta, bridge ou gin rummy por dinheiro. Neste caso, estava tudo explicado. Explicava que a gente da ASAE não tivesse ido ao local com esses galhardos funcionários de preto, mascarados, um metro noventa, colete à prova de balas e armas automáticas muito giras. Também explicava que os agressores dos quatro asaenses detidos pela GNR fossem dois homens e uma mulher. Neste caso, tudo fica claro. No entanto, repito, não justifica a agressão física. Jogo clandestino é jogo clandestino. Bola de Berlim ilegal é bola de Berlim proibida. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:49
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO