Terça-feira, 22 de Junho de 2010

A espectacular vitória de Portugal sobre o país menos querido do mundo, a Coreia do Norte, pode ter consequências extra-futebolísticas imprevisíveis. Podemos ter tido um grande triunfo desportivo, que moral e politicamente colocou o mundo livre numa posição delicada. Como sabem, este jogo foi transmitido excepcionalmente em directo no território do Presidente Eterno da República, Kim Il-Sung, pai do actual querido líder supremo Kim Jong Il. Por uma vez que deixam entrar um bocadinho do demoníaco mundo livre, eis que exibem este massacre protagonizado por um país de passado colonizador. O mesmo país que levou as delícias das frituras – ou tempura – ao temível império japonês. Como explicar ao povo coreano que foi derrotado por um pais que não tem centrais nucleares e que nunca na sua vida sequer viu uma bomba atómica de perto? O trabalho de décadas levado a cabo pela carismática família Kim, até agora com assinalável sucesso, foi deitado ao lixo. O povo viu que os seus parentes da Coreia do Sul também perdem, mas perdem por menos. E perder por menos em futebol é salvaguardar a dignidade. Ainda bem que a Coreia não é o Japão. Do contrário veríamos terríveis cenas de seppuku, também conhecido por harakiri, por parte dos jogadores responsáveis e do público que assistira a esta ignóbil derrota. Pergunto-me, se eu fosse Kim Jong Il, o que faria para compensar esta humilhação. Infelizmente, só me vêm à cabeça imagens de vingança. Invadir a Coreia do Sul até me parece pouco. Atacar a China está fora de questão. A família Kim é doida mas não é estúpida. Temo que a afronta sofrida, sete afrontas para ser mais preciso, só poderia ser lavada com sangue. Eu apelaria a todos os portugueses que estão a passar férias na Coreia do Norte, que voltassem imediatamente. Que abandonassem as suas maravilhosas praias, as suas estâncias de esqui, a vida de luxo que ali levam. Que esquecessem a gastronomia insuperável da região, e voltassem para casa. O querido líder pode ser muito antipático e não sabemos o que fará para restaurar a felicidade nesse – até ontem, ao meio-dia – povo mais feliz do mundo. Sete golos são história e estes regimes são conhecidos por querer mudá-la. Afastemo-nos deste país agora que contribuímos com o nosso grão de areia, sete grãos para ser mais preciso, para o fim daquele execrável regime. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:17
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO