Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

Suponho que à pergunta: o que prefere, ser jovem e rico ou pobre e velho, todos, excepto algum exibicionista com tendências masoquistas, escolhe a primeira opção. Mas mudemos a pergunta. O que prefere: ser velho e rico ou pobre e jovem? Aqui, temos de aceitar que, antes de responder, o interrogado reflicta um bocadinho. No entanto, segundo um destes estudos que aparecem publicados nesta altura do ano, os portugueses estão mais preocupados com a pobreza que com a velhice. Aparentemente, merece destaque que os portugueses se preocupem mais em pagar as contas que no facto inelutável de envelhecer. Não compreendo como podia ser de outro modo. Contra a passagem dos anos nada podemos fazer. Só podemos minorar as nossas angústias e ansiedades eliminando o que é possível eliminar. Ser velho e rico é melhor fim para quem foi jovem e pobre. Apresentar a conclusão deste estudo como uma prova da singularidade lusitana é um abuso da liberdade de imprensa. A única coisa que prova é que nos países mais fragilizados pela crise, os seus habitantes preocupam-se mais em pagar as dívidas que em continuar a andar nos copos com os amigos a engatar miúdas. A insegurança financeira exige naturalmente estarmo-nos nas tintas para os achaques da idade. O que queremos é dormir descansados e não ser eternamente jovens como diz uma canção bastante estúpida que anda por aí. Os romenos, checos e gregos estão tão preocupados em envelhecer como nós. Uma das consequências dos problemas monetários é não termos tempo para nos preocuparmos com mariquices destas. Uma ruga a mais, cabelos brancos, dores nas costas, barriga proeminente, por amor de Deus, com as finanças a bater à porta, as crianças com fome, o Euribor novamente a subir, quem no seu perfeito juízo se preocupa em chegar a velho? Este é um problema dos países ricos, que não têm mais nada com que se preocupar. Cambada de frívolos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:18
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