Segunda-feira, 17 de Março de 2008

Embora me possa enganar por alguns cêntimos, salário mínimo nacional, também pomposamente chamado retribuição mínima mensal garantida, é em Portugal de 426 euros. Suponho que alguém ou algum organismo tenha justificadamente chegado a este número tendo em conta todas as variáveis que nestes casos se devem ter em conta. Todos concordamos, por experiência ou intuição, que as variáveis que essa gente tem em conta são com certeza um disparate pegado. Ou, mais naturalmente, essa gente e esses organismos são simplesmente disparatados. Ou talvez sádicos. Ou todos eles ricos. Sei lá. Alguma ciência que desconheço deve explicar como raio chegaram eles a esses paupérrimos 426 euros. Segundo os técnicos de intervenção social de cinco conselhos do sul de Leiria só com mil euros é que os pobres podem viver com dignidade. Ora bem. Finalmente há pessoas minimamente sensatas! Não digo que mil euros sejam um bom número. Mas já é um bom começo. O meu raciocínio e, infelizmente, não a minha experiência pessoal, leva-me a pensar que não existe um salário máximo. Todos falam de que fulano ganha quatro ou catorze salários mínimos mas ninguém diz "aquele gajo da PT ganha a metade do máximo". Temos de pensar positivo. Se para ser um pobre digno se deve ganhar mil euros, ninguém passa a ser um remediado por menos de mil e quinhentos. E um tipo de classe média com dificuldades não pode ganhar menos de dois mil euros. E assim por diante. É só aumentar uns cinquenta por cento cada vez que subimos na classe social. Assim é que estaria certo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:36
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