Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

No fim-de-semana li um artigo do meu colega José António Saraiva, que perguntava se o Partido Socialista não tinha pessoas ainda mais antipáticas para pôr na primeira linha da discussão política. A pergunta, além de irónica, era retórica. Com efeito, deve ser difícil encontrar personagens que possam competir com Jorge Lacão, Francisco Assis e Ricardo Rodrigues. Mas o director do semanário Sol observou bem que, em vez de compensar a imagem de irritabilidade do primeiro-ministro o governo optou por tornar-se, e cito, “um partido desagradável”. Em princípio, devemos tomar as decisões políticas como se fossem todas elas racionais. Por mais descabeladas que pareçam, um político em geral, e ainda mais os governantes, tem o direito a que lhe demos a nossa máxima atenção para podermos entender o que estão a fazer ou o que querem fazer. Sendo assim, podemos afirmar que esta atitude de antipatia ou aborrecimento dada pelas figuras do governo em destaque faz parte da política. É provável que tenham adoptado a estratégia de nos mostrar que, de alguma maneira, temos sorte. O que seria de nós se, por exemplo, Ricardo Rodrigues fosse o chefe de governo de Portugal? O Canal da Assembleia da República superaria em audiências o mais exigente reality-show. Comparado com Rodrigues, o nosso Sócrates é um acólito do arcebispado. Poderá haver alternativas a esta homogeneização comportamental? Aqueles que dão a cara pelo governo podiam ser de outra maneira? Um governo minoritário que escolheu à partida, com perdão da traidora homonímia, não dar cavaco a ninguém, não podia ser amável nem andar com falinhas sedutoras. Foi uma escolha do governo não se misturar com ninguém. Para simpatia e boa educação já basta terem escolhido Isabel Alçada para lidar com os irados professores. O governo não se podia dar o luxo de ter outras alçadas como porta-vozes na comissão de inquérito nem na liderança da bancada. A antipatia geral faz parte dos relacionamentos deteriorados pelo tempo ou pelas circunstâncias. Afirmamos que não há moções de censura porque ninguém na oposição quer governar. Nem o governo. É verdade. Daí estarem o tempo todo de trombas e com sete pedras na mão. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:06
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