Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

Li no Diário de notícias que PS e Bloco de Esquerda concordaram em adiar para depois do Verão a discussão e votação no Parlamento de mais um projecto "fracturante": o que confere às pessoas que mudam de sexo o direito de verem reconhecida oficialmente essa mudança nos seus documentos de identificação. Mas não só. Também não será necessária uma cirurgia de mudança de sexo. Mas antes uma prova real de vida em que o candidato ateste, com reconhecimento científico (por um médico ou psicólogo) a sua mudança de género. É uma proposta no mínimo ousada já que, para o dizer de um modo mais elegante, desgenitaliza a sexualidade, tornando-a comportamental. É uma ideia, ou para os mais conservadores, um problema interessante. Sem dúvida merece ser discutido. A ideia ou, para os mais conservadores, o problema é que vai ser certamente tema na pré-campanha presidencial. Sinceramente, ter de ouvir Cavaco Silva, Manuel Alegre e sabe Deus que outro candidato a falar de transexuais, sexo e a importância de ser ou parecer isto ou aquilo, pode ser mais um pesadelo mediático. Imagino Alegre a jantar com transexuais de esquerda. Cavaco com os de direita. Vai ser interessante saber se há influência política no sexo ou no comportamento adoptado e se é o mesmo que se tinha antes de fazer a mudança. Parte do pesadelo vão ser os Prós e Contras intermináveis, os debates, a Quadratura do Círculo e a Mário Crespo a falar e a falar e a falar sobre o tema do estilo: “Portugal transexual, um Portugal esquecido?”. E tudo isto porque o Bloco e o PS querem estragar as presidenciais. O lado bom é que estas discussões devem as únicas que nos dispensam de pedir licença a Bruxelas. Mais ainda: o governo é livre de escolher o seu lado e o que for decidido não terá interferências da União Europeia. Graças ao tema dos documentos dos transexuais, vamo-nos sentir livres e soberanos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:09
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