Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Mais de 160 artistas, escritores e críticos de arte subscreveram uma carta a exigir à galeria Tate Britain que abdique do patrocínio da BP. Isto por a empresa petrolífera ser responsável de um dos maiores desastres ambientais dos últimos anos, após uma fuga num poço petrolífero no Golfo do México. A BP também patrocina a Royal Opera House, a Tate Modern, que é nova e maior que a Tate antiga, e o Museu Britânico. A fúria dos artistas foi desencadeada por uma declaração das quatro instituições que rezava assim: “Estamos gratos à BP pelo compromisso a longo prazo, pela partilha da visão de que os nossos programas artísticos devem ser disponibilizados a um público o mais abrangente possível". É bonito haver gente que defende as suas convicções. Pena que muitas delas sejam estúpidas. Reparem que ainda não se sabe como a BP vai sair do problema que causou e deverá também cortar gastos. Reparem ainda que os patrocínios não devem ser nada pequenos. Reparem mais que antes deste desastre, como qualquer empresa petroleira, a BP dava um importante contributo para a poluição adequada do produto, e quem sabe se outros igualmente pouco saudáveis mas menos visíveis. Reparem também que esta declaração dos artistas foi feita no mesmo dia em que se organizava um cocktail com os curadores et tout le monde e os artistas sentiram-se embaraçados por estar a comer os rissóis ao lado dos executivos da agora demoníaca empresa. Eu sei que o Reino Unido não é Portugal e as artes estão um bocado mais protegidas pelos particulares que cá. Até tolero a arrogância artística e a hipocrisia das pessoas não me afecta. Também me estou a marimbar para o futuro da BP. Mas acho idiota que prejudiquem o bom funcionamento das ambas Tate, da Opera House e do British Museum. Se os sacanas dos artistas ingleses não gostam, que não participem no cocktail, mas não impeçam a entrada da massa onde será bem gasta. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:10
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