Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

Julgo que desde o caos financeiro de há já quase dois anos, o liberalismo foi abusadamente culpabilizado. Concordo que é preciso haver algumas regras de bom senso e responsabilidade. Não podemos portar-nos bem à mesa, termos boas maneiras no dia-a-dia e sermos uns selvagens sanguinários quando se trata de ganhar dinheiro. Contudo, acreditar que só o Estado pode ser a solução ou que só ele é invulnerável à imoralidade financeira, além de ser tão ingénuo como uma beata, é igualmente perigoso. Peço desculpas por este prólogo aborrecido, mas foi o que me inspirou a notícia do futuro de algumas casas de má fama. Em particular, a cadeia de bares de strip Passerelle. Estas casas de alterne correm o risco de passar para as mãos do Estado caso os arguidos do processo não paguem a indemnização de 4,2 milhões de euros a que foram condenados pelos crimes de auxílio à imigração ilegal agravado e fraude fiscal qualificada. A minha preocupação é apenas de alguém que respeita a iniciativa privada e aceita que certas actividades de alguma forma pouco edificantes cumprem uma função social de combate ao stress entre a população masculina. Quer se goste quer não, é uma fonte de emprego. O Estado pode gerir os hospitais e as escolas. Mesmo assim sabemos que muitas vezes os resultados obtidos deixam muito a desejar. Mas saberão gerir casas de strip? As danças nos varões será uniformizada e regulamentada como é habitual nas repartições públicas? Quais serão os critérios de contratação oficial das agora funcionarias públicas? Sabemos que nos organismos estatais é hábito dar emprego à clientela eleitoral. Um governo socialista porá militantes ou filhas de militantes. Serão elas capazes de substituir com dignidade as brasileiras, ucranianas, lituanas e tantas outras profissionais estrangeiras? Não sabemos. Temos, porém, uma certeza. O carácter vitalício dos funcionários do Estado será respeitado. Isto leva os clientes a ver, anos após ano, as mesmas funcionárias; bailarinas nos varões até que chegue finalmente a reforma. Os pais levarão aos seus filhos e dir-lhes-ão: “Esta é dona Teresa, quando a vi pela primeira vez há vinte anos apaixonei-me por ela. Não cometas o mesmo erro que eu, meu filho. Assim como a vês agora com sessenta anos, ainda é uma mulher fria e cruel. Felizmente já falta pouco para se reformar”. Este é o futuro das casas de strip estatizadas. Por favor, não me digam que o liberalismo é mau. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:25
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