Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

É com muita alegria que verifico que a Igreja Católica está a provocar certa polémica e alguma surpresa por questões relacionadas com o seu culto. Já estava bastante farto que só se falasse dela por questões psiquiátricas e judiciais. Por exemplo, a Igreja do Carmo em Beja tinha silenciado os seus sinos durante uma década. Com a visita do Papa Bento XVI, reactivou as suas actividades campanárias. Terminada a visita, decidiu continuar. Além de chamar para a missa, toca os seus sinos para anunciar as horas e as meias horas. Naturalmente, depois de uma década de silêncio, as pessoas estavam desabituadas e agora queixam-se. Pena. A sineira diária é um hábito antigo e não me lembro de alguma vez ter sido tomado como um incómodo. A igreja respeita os horários legais e só começa anunciar as horas a partir das oito da manhã e finaliza à dez da noite. Exorto a população de Beja a defender esta tradição erradamente suspendida. Lembro que Pessoa vivia no meio de três ou quatro igrejas e, apesar das ressacas, nunca se queixou. Outra notícia clerical é que as missas vão ter um horário mais flexível para que os turistas e as pessoas de férias possam conciliar o descanso com os seus deveres religiosos. Estão programadas missas para as 21h30, o que dá tempo para depois ir jantar e ir espiritualmente preparado para a noite algarvia, lisboeta ou da Zambujeira. Para integrar os estrangeiros de férias vão tentar dar a missa noutras línguas, em especial em inglês. Interessante escolha de língua tendo em conta que, excepto os irlandeses, a maior parte dos anglófonos não é católica. Mas é uma iniciativa estimulante. Claro que até há umas décadas a Igreja já tinha solucionado este problema com a utilização do latim na sua liturgia. O tempo, esse grande mestre da humanidade, dá-nos mais uma vez uma lição. Nunca se deviam ter armado em multiculturalistas antes de tempo. Agora não seria preciso andar à procura de padres poliglotas. Fora isso, ite missa est.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:28
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