Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Depois da Guiné Equatorial, mais cinco países – Austrália, Indonésia, Luxemburgo, Suazilândia e Ucrânia – manifestaram interesse em aderir à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), disse ontem, com orgulho indissimulado e alegria à agência Lusa o secretário executivo da organização. Sinceramente ainda não percebi para que serve a CPLP. Quando vemos as organizações privadas e para-governamentais, dá a sensação de que é uma associação de associações de caridade e obras humanitárias. Coisa que não tem mal nenhum, se tal servir para alguma coisa. Mas não tenho muita simpatia por ela desde que aderiu sem nenhum tipo de objecção ao malfadado acordo ortográfico. Já para não falar da descarada hegemonia brasileira aceite por todos os seus membros. Mas na sua global inutilidade também não faz mal ao mundo que seja composta por países que só são capazes de dizer obrigado e, mesmo assim, com alguma dificuldade. Até acho muito pós-moderno que um país como a Indonésia, que tanto fez para a eliminação de tudo quanto fosse português, faça parte dela. De alguma maneira aquela teoria dos seis graus de separação que afirma que no mundo, são necessários no máximo seis laços de amizade para que quaisquer duas pessoas estejam ligadas, no caso do português, pode ser reduzida a dois. Na Austrália há emigrantes portugueses, tem relações com Timor-leste, que por sua vez foi colonizado por portugueses e pronto. Austrália é amiga. A Suazilândia está perto de Moçambique que também foi território português e, claro, é uma espécie de prima. O Uruguai, há mais de dois séculos, também fez parte da coroa portuguesa. É alguma coisa parecida a uma neta perdida. A Ucrânia tem muitos emigrantes a viver em Portugal, que, por sua vez, gostaria que eles ficassem em Portugal. Pronto: é como uma afilhada. A mesma coisa poderá acontecer com a Índia, até porque Goa é uma espécie de filho ilegítimo de Portugal. A China tem todo o direito de pertencer à CPLP. Criámos Macau juntos desde a sua mais tenra idade. A Inglaterra teve algumas portuguesas casadas com reis e é uma velha amiga. Que entre, se faz favor. A CPLP pode tornar-se uma Unesco paralela e, sabendo como funciona, até temos possibilidades concretas de fazer melhor trabalho que ela. Mas o que me agrada mais desta mundialização da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é talvez podermos impedir que o acordo ortográfico se aplique. O que é que interessa a um ucraniano mudarmos a ortografia? E a um chinês ou a um indonésio? Nada. Caros colegas anti-acordo ortográfico, aproveitemos. É o momento de contra-atacar. Basta convencer os hindus e a China e voltaremos a escrever como no ano passado. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:40
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