Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Esta história das vagas nas universidades está a ser muito interessante. Por exemplo, todos estamos de acordo que faltam médicos em Portugal. Vão ser abertas mais cem vagas. O bastonário da Ordem dos Médicos afirmou que era uma má ideia porque com este número de estudantes não se podia garantir uma boa formação profissional. Não compreendo como está a ser o ensino universitário nos dias de hoje, mas quando os alunos não eram bons chumbavam. E em Medicina, então, era, por tradição, uma carnificina. Outro pormenor que me faz confusão é misturar o número de estudantes que começam o curso e os que terminam os estudos. Cem vagas para entrar não equivalem, em parte nenhuma do mundo, a cem médicos. Com os dentistas, acontece a mesma coisa. É um exagero haver sete escolas dentárias em Portugal. São quase tantas como as faculdades de Medicina. Mas é compreensível. Conseguir instalar-se num consultório de dentista é quase como ganhar o Euromilhões e recebê-lo em quotas. Mas, se calhar, pelas leis do mercado, quantos mais dentistas, mais baratos serão os implantes. E isto não é bom para a profissão. O bastonário da Ordem dos Advogados também se queixa. Mas não é novidade. Contudo, tem razão em afirmar que as faculdades de Direito estão sobrelotadas. O país está a naufragar num oceano de advogados. Talvez não seja assim tão difícil concluir os estudos. Por outro lado, Marinho Pinto propôs uma ideia interessante, não sei se com ironia se foi um wishful thinking, que é como quem diz um desejo íntimo. Para evitar que tantos licenciados em Direito fiquem no desemprego ou trabalhem nos call centers, o Governo devia obrigar todos os solicitadores, escrivães, inspectores da Polícia Judiciária e a quem trabalha nas repartições públicas, como as Finanças, a serem licenciados em Direito. Obviamente, esta sugestão pode estender-se a outras actividades como porteiros de discotecas, para poder aplicar o direito de admissão com alguma legitimidade; todos os empregados bancários por razões que todos sabemos, empreiteiros e assim por diante. Mas sobretudo, todo o resto da população portuguesa. Sendo licenciados em Direito vamos todos deixar de ser endrominados pelos licenciados anteriormente mencionados. Bute! Todos às faculdades de Direito. Ao que parece deve ser canja, caros doutores. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:41

Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO