Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

Li uma notícia num jornal espanhol que anunciava que num centro geriátrico um homem de 84 anos tinha matado outro de 94 anos. Agora estou em frente ao mar a beber um gin tónico e apetece-me pensar em coisas triviais como a vida e a morte. Vamos esquecer por um momento que um homicídio é sempre mau. Ninguém tem o direito de matar a ninguém, mesmo que seja em Espanha e que o morto seja espanhol. Mas reflictamos. Para começar, chegar aos 83 anos é louvável. Ainda por cima, chegar a essa idade e ter a energia de matar alguém só com as mãos mostra uma vitalidade fora do comum. No fim de contas, a vítima só tinha mais onze anos que o homicida. Também devemos perguntar o que pode chatear um homem de 83 anos que o leve a matar alguém. Não falo das consequências porque passar o resto da sua vida numa prisão ou num asilo não deve ser uma grande mudança. Ainda por cima, com 84 anos não vai de certeza ter problemas amorosos com os companheiros de cela. Por outro lado, penso também na vítima. O que pode fazer um homem de 94 anos para despertar os instintos assassinos num jovem de 83? Vamos ignorar uma história possível em comum, do género que o mais novo sempre foi gozado pelo mais velho. Ou que o mais velho lhe roubou a noiva ou foi amante da mãe ou da irmã mais velha, agora com apenas 87 anos. Vamos supor que se conheceram no centro geriátrico. Neste caso é legítimo imaginar que o mais velho, o de 94, abusava psicologicamente do puto de 84. Digo psicologicamente porque com 94 anos não posso acreditar noutro abuso. Mesmo sendo espanhol. Isto leva-me à conclusão que, sem ser justificativa do homicídio, explica o crime. O velho de 94 era um pomposo arrogante que fazia pouco do puto de 84. Talvez se ficasse com a sobremesa, tratava-o por maricas ou roubava-lhe as raparigas de setenta. Suponho que um homem de 94 anos tem direito a ser um sacana como outro qualquer. Seja como for, não é comum que um velho desta idade se possa gabar de não ter morrido de morte natural. Quantas pessoas mortas prematuramente teriam querido ser assassinadas aos 90? Até eu que ainda não cheguei aos sessenta! Sem querer escandalizar nem perdoar ninguém, permitam-me afirmar que os homens acima dos oitenta merecem todo o nosso respeito e compreensão. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:45
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