Terça-feira, 20 de Julho de 2010

Eu sabia que, como sempre, com o passar do tempo a verdade vem ao de cima. Com o caso Freeport, as minhas expectativas começam a cumprir-se. É com os pormenores aparentes, esquecidos na voragem da informação apressada, das investigações feitas sobre o joelho, típico da Scotland Yard, que temos um quadro mais ampliado e podemos compreender o mistério. Vejamos. O Instituto de Conservação da Natureza negou à Câmara Municipal de Alcochete o projecto de instalar um cemitério no mesmo local onde, poucos anos depois, viria a viabilizar a construção do Freeport, justificando esta sua decisão com a "pressão humana" que tal equipamento iria gerar numa zona ambientalmente sensível. Ouviram bem: um cemitério onde agora está um super centro comercial. Sabemos que desde tempos remotos os templos são construídos sobre ou a partir de templos caídos em desuso. O culto triunfante é construído sobre o culto que periclita. Muito provavelmente, algum funcionário da Câmara da Alcochete, descendente de uma família que viveu sempre na zona, sabia que outrora havia ali um cemitério. Muito antes da ocupação romana e, claro, ainda mais antes dos árabes, que deram o nome Al Caxete, forno na língua deles. A minha teoria é que desde aqueles tempos imemoriais havia um pequeno mas emblemático cemitério, localizado no mesmíssimo sítio onde agora está o Freeport. Os antigos mortos não se importaram com a Ponte Vasco da Gama nem com a nega de refazer o cemitério. Pelo contrário. Tinham assim assegurados a paz e o silêncio. Mas fazer um outlet, isso é que não. Quando os mortos conseguiram estar de acordo entre si, iniciaram a vingança que nem sequer levou tempo a planear. Já tinha sido escrita por Steven Spielberg e até já tinha sido realizado um filme chamado Poltergeist. Sendo as circunstâncias diferentes, nem o cemitério original era índio nem os profanadores eram uma família nem ninguém ficava a olhar para a televisão à noite, fizeram algumas adaptações. Mexeram nos papéis, filmaram às escondidas, tentaram confundir uma típica família portuguesa com a maldição de terem um parente primeiro-ministro. Há quem diga que foi ao contrário, que maldisseram um primeiro-ministro com uma família cheia de iniciativa. Não interessa. Mas a mais brilhante adaptação ao original foi que em vez de usar um televisor aceso à noite, imaginaram uma estação de televisão como inocente defensora dos antiquíssimos finados, por fim dominados pela cólera. Tenho a certeza de que ainda teremos mais revelações desta perturbante história. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:17
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