Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Em entrevista ao Diário de Notícias publicada ontem, a Ministra do Trabalho, Helena André, afirmou que o Governo tem planeado para a função pública "um congelamento de salários e não cortes", explicando que no congelamento há o "ajustamento da inflação"e que o executivo prevê que seja de 1,4 por cento em 2011. Durante a manhã de ontem, a ministra apressou-se a apresentar uma nova versão da sua posição sobre os aumentos salariais que irão começar, durante os próximos meses, a ser negociados com os trabalhadores do Estado. Helena André assegurou que, neste momento, "não há qualquer decisão sobre esta matéria", afirmando mesmo que esta é uma questão que "não é da competência do Ministério do Trabalho, mas sim do Ministério das Finanças”. Ou seja, não só nada está decidido, como, se alguma coisa estivesse, a ministra não poderia dizer nada sobre o tema. São estes momentos que os observadores adoram observar, sobretudo num domingo de calor e tédio. Será que a ministra sabe mas escapou-lhe da boca para fora ou terá sido um “balão de ensaio”? A primeira é mais frequente. Já vimos políticos em várias ocasiões que não são capazes de guardar um segredo. Não fazem por maldade. São assim, naturalmente sinceros. Também temos a intrigante teoria do balão de ensaio. Isto significa que foi uma falsa indiscrição com o intuito de sondar a opinião dos tais parceiros sociais com quem hão-de negociar. Esta táctica é tramada. Porque caso for descoberta pelos alvos a quem tiram o balão, estes podem por sua vez responder com a mesma táctica e afirmar que “aumentos como estes são inaceitáveis e, a menos que incluam isto e mais o outro não nos sentamos à mesa das negociações”. Mas não é verdade: eles estão a devolver o balão. Estes ensaios com os balões podem durar até que finalmente se negoceie. Mas, ao menos, já vão com uma ideia do que se pode dar ou do que se pode exigir. Quando chegarem ao inevitável acordo, estes balões evitarão que, como dizem os orientais, alguém tenha perdido a face. O que significa qualquer coisa como não perder a honra publicamente. Isto leva-me a concluir que a táctica dos balões de ensaio não deve ofender ninguém. É mais uma maneira imaginativa de defender o bom-nome das partes envolvidas. É surpreendente que na política portuguesa se esteja a dar tanta importância à honra. Acredite se quiser. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:16
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