Terça-feira, 27 de Julho de 2010

Ainda está fresquinha a indignação das pessoas que viajam de avião e têm de passar pelos scanners que dão um imagem total delas próprias tal como viram ao mundo, mas com uns anitos em cima. A ideia de serem vistas nuas por desconhecidos que se preocupam com a segurança parece não ser desculpa para lhes ser permitido ver as suas intimidades. Pudor, vergonha ou simples embirração parecem ser mais importantes que a própria vida. O ser humano é uma caixinha de surpresas estúpidas. Graças a Deus, há pessoas que conseguem ganhar a vida com elas. Uma empresa norte-americana inventou uns autocolantes para proteger as partes íntimas. São vendidos no site flyingpasties.com. Vi a fotografia e imaginei que as mulheres, para conservar os seus segredos, como é natural, vão ter de desembolsar mais dinheiro para comprar três autocolantes, enquanto os homens, sobretudo os inseguros, só vão precisar de um. A empresa não explica como os autocolantes bloqueiam o scanner e muitos consideram a ideia um mero truque para ganhar dinheiro. Só os funcionários das alfândegas podem verificar a eficácia da invenção. Mas isto é o que menos interessa. Estas coisas têm êxito, não por causa da sua eficácia concreta, mas pelo efeito psicológico. Neste caso, trata-se de defender o ridículo limite da vergonha ante o ridículo desconcerto da segurança. Será possível esconder uma arma ou uma bomba nos mamilos? É uma realidade que houve atentados terroristas em que os explosivos estavam escondidos no ânus do fundamentalista. Nada impede imaginar que se inventem autocolantes explosivos iguaizinhos aos que esta empresa pretende comercializar para uma casta clientela. Por outro lado, os funcionários dos serviços de segurança terão a coragem de exigir revistar os tais autocolantes para verificar se são inofensivos ou estão armadilhados? Se os autocolantes forem um êxito, podem dar lugar a serem fabricados de modo a que se autocolem no corpo inteiro? Será permitido? Penso que estamos a presenciar uma tendência da moda que pode ser extremamente sugestiva. Mas seja como for, as pessoas gordas nunca hão-de ficar favorecidas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:22
Comentar

Comentários:
De Kruzes Kanhoto a 27 de Julho de 2010 às 23:37
Será um autocolante em forma de parra certamente...


Comentar post

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO