Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Como é tradição nesta época do ano, os estudos sobre a vida dos humanos reproduzem-se como coelhos. O último que vi publicado algures chamou-me a atenção. Foi realizado com a participação de cerca de 1600 habitantes de Miami, com idades compreendidas entre os 18 e os 23 anos. Chegou-se à conclusão de que «os jovens rapazes sofrem mais com o fim dos relacionamentos, do que as raparigas». Por uma vez na vida, temos um estudo que me parece sinceramente revolucionário porque acaba com o mito dos sedutores frios, insensíveis e amorais. Segundo este trabalho, que contou com a supervisão do The Journal of Health and Social Behavior, «os rapazes têm mais apoio que as raparigas no dia-a-dia, ou seja, eles obtêm o apoio essencialmente com o seu par, a namorada ou a esposa, portanto, saem sempre mais prejudicados das relações, uma vez que perderam um alicerce essencial na vida». Isto explica as conversas entre amigos em que só se fala de futebol e de gajas mas em que nunca se fala do relacionamento nem da intimidade que se tem com a namorada ou mulher legítima. Pelo contrário, as raparigas só falam de coisas sérias como, por exemplo, ele – o namorado, o marido – não a ama, tem outra, nunca fala, nunca ouve, chega sempre tarde a casa. Isto faz que as raparigas sejam mais independentes que os seus homens. Canalizam e dividem as suas frustrações com as amigas e a família. Quando há uma ruptura dos relacionamentos, os mais chegados já mais ou menos sabiam, compreendiam ou estavam fartos de as ouvir. Obviamente, torna o processo de separação menos dramático. Os rapazes, ao estarem mais descontraidamente isolados, não têm a quem contar os seus dramas ou têm de contar tudo desde o princípio, o que é desgastante. A conclusão a que o estudo chega devia fazer repensar as conversas entre rapazes, caso queiram sofrer menos quando forem abandonados pelas suas mais que tudo. Não devem ter vergonha de dizer aos seus amigos que a namorada hoje lhes respondeu torto ou que a mulher voltou às cinco da manhã muito bem disposta, como se não tivesse acontecido nada. Percebo que no início os amigos vão achar esquisito. Mas depois habituam-se. E todos vão começar a contar coisas semelhantes que nunca tinham contado, nem a si próprios. Quando chegar o momento de serem deixados por outro, a dor será suportável. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:24
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