Segunda-feira, 2 de Agosto de 2010

É normal considerar o mês de Agosto um mês frívolo. Até há um ano era o mês da famosa silly season. Não havia nada importante para falar, pensar, reflectir. A não ser, claro, como íamos retomar as nossas vidas em Setembro. Estes tempos parecem terem acabado. Não me lembro de um Agosto com tantas dúvidas, tantas perguntas, tantas incertezas. Não sou pessimista e acredito que a dúvida é o início das grandes descobertas, mas acho que estamos a exagerar. Não sei se é um problema de fruta, do estilo de faltar tomate no mercado, ou uma obsessão de evitar o erro, magoar pessoas ou jogar pelo seguro. Mas o que é certo é que nunca sabemos a quantas andamos. Tenho vários exemplos. Sobre Carlos Queiroz ninguém quer que continue a não ser o próprio e a sua família. A Federação Portuguesa de Futebol esconde-se por trás de um incidente menor – um insulto à mãe de um funcionário – que pode levar à poupança de bastantes euros no seu despedimento. Em vez de falar da sua competência profissional ou falta dela, tenta-se resolver o problema dando uma lição de moral e disciplina. Todos sabemos que é uma treta, mas os dirigentes querem transmitir a ideia de estar a fazer o correcto. Outro exemplo. O caso Freeport foi dado por finalizado, mas havia perguntas que não foram respondidas e, oh surpresa!, O problema não é corrupção mas extorsão, um crime nunca antes mencionado. A Ministra da Educação fala numa entrevista que está a ponderar eliminar os chumbos nas escolas, mas está aberta à discussão. Por todos os lados chovem críticas ao mero anúncio da ponderação anunciada num semanário. Cuidado! Uma ideia que se assoma vagamente torna-se uma ameaça ao sistema educativo. Os juízes do caso Casa Pia precisam de mais tempo. Oh! Desculpem lá a ansiedade irresponsável dos arguidos, vitimas, jornalistas e cidadãos. Julgávamos que sete anos depois já era hora de tomarem uma decisão. Somos uma cambada de impacientes irresponsáveis. E, assim por diante, podíamos continuar a mencionar casos onde há prudência ou a tal falta de fruta, mas parece que o que está a dar é adiar, ponderar e delegar. No meio de tudo isto, esqueceram-se de que no mês de Agosto é tradição suspender todas as actividades. Inclusive a de tomar decisões. Já não há respeito pela tradição. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO