Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

O calor já é suficiente para nos endoidecer, mas não quero imaginar como se deve sentir as pessoas que, além de sofrer com estas temperaturas infernais, têm de combater os incêndios. Na verdade, não preciso de imaginar. Em Tulha Nova, concelho de Castro Daire, cinco elementos do Grupo de Intervenção Protecção e Socorro, GIPS para abreviar, envolveram-se em cenas de pancadaria com a população, após um desentendimento sobre as prioridades no combate a um fogo que alastrava na aldeia. Foram chamados para combater as chamas que ameaçavam um curral onde estavam duas vacas. Os GIPS estavam a observar a área ardida quando um homem, suponho que o dono das vacas, lhe pediu ajuda e eles responderam que tinham um homem ferido e que eles é que sabiam o que tinham de fazer. O homem disse-lhes que então não eram competentes. Um tirou o capacete e deu-lhe uma chapada. Como todos sabemos uma chapada leva a outra e assim continuaram. Para a GNR, a discussão terá sido provocada pela "exaltação de quem estava em risco de perder bens". Eu acrescentaria que para o homem, a vida das vacas bem valia que o ferido esperasse um pouco. São opções e eu não as discuto. O importante é que entre o calor, o incêndio e as vacas é normal que as pessoas percam a cabeça. Além do mais, é típico dos portugueses achar que sabem mais que os profissionais. Ter chamado incompetentes aos GIPS é uma prova de que o homem tinha a certeza de que ele, no lugar deles, fazia mais e melhor. Pela sua parte, os GIPS eram homens treinados para combater situações difíceis, mas não para dar consolo às vítimas nem estavam preparados para ouvir críticas por mais construtivas e bem-intencionada que fossem. Aliás, mais que uma crítica foi uma avaliação. Sabemos que nem os professores gostam de ser avaliados. Agora imaginemos a tolerância de um GNR à apreciação do seu trabalho no meio do calor e do incêndio já mencionado. Tenho a certeza de que casos como este devem ser muitos mais que os noticiados. Pelo sim, pelo não, apelo aos GIPS e às populações a ter calma e a manter a compostura. Nunca é demais dizer: “por favor, podia apontar a sua mangueira mais à direita?” ou um “fique descansado que não nos esquecemos das suas cabras. Fique aí sentadinho que já o atendemos”. A cortesia e as boas maneiras, no meio do tal calor e de certos incêndios, podem fazer a diferença. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:20
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