Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

Li no Diário de Notícias que as transportadoras publicaram regras de utilização para os passageiros. As regras não trazem nada de novo a não ser conselhos de vestuário em que se apela à utilização de materiais naturais como o linho ou algodão, por serem mais frescos e evitarem o cheiro a transpiração tão típico da gente pobre que usa coisas como o poliéster. Não posso estar mais de acordo. O DN, não satisfeito com estas regras de etiqueta, convocou duas pessoas bem-educadas para fazer sugestões. A Vicky Fernandes e a Paula Bobone. A primeira sugeriu coisas sensatas como respeitar a fila e falar baixo ao telefone, entre outras. Paula Bobone revelou-se uma extremista perigosa. Exigiu que as crianças devem ser ensinadas a ir caladinhas, sem fazer barulho e ficar sossegadas para não incomodar as outras pessoas. Embora tenha alguma razão, parece-me impraticável. Era preciso levar os pais a um curso de formação e como as coisas estão agora ninguém chumbava e continuava tudo na mesma. Aconselhou também a que as pessoas mantivessem uma certa distância entre si. É óbvio que a Paula nunca viajou num transporte público à hora de ponta. Mas a sugestão mais escandalosa é a de evitar peixeiradas. Isto significa que quando se der uma discussão as outras pessoas devem permanecer caladas, senão cria-se uma situação que pode causar mais desacatos. Isto é uma agressão à idiossincrasia do povo português. Na minha pouca experiência de transportes públicos, as peixeiradas são um dos poucos espectáculos autênticos e representativos da nossa identidade nacional. Ninguém é obrigado a participar, mas caso o utente veja na discussão uma maneira de corrigir os defeitos dos serviços, denunciar uma imoralidade inadmissível ou de reconhecer uma metáfora de onde é que o país chegou, deve pronunciar-se. A democracia e os direitos dos cidadãos não podem ser postos de lado por causa do perigo de uma revolta popular. Se o povo assim o quer, que assim seja. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:27
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 7 de Agosto de 2010 às 00:59
o que terá sido feito daquela regra que dizia que não se podia escarrar no chão?


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