Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

Uma dentadura postiça com aplicações em ouro, feita para o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, foi vendida por 18 mil euros num leilão em Norfolk, no Reino Unido. Há pouco mais de um mês, em Las Vegas, radiografias do tórax de Marilyn Monroe foram vendidos por 36 mil e 600 euros num leilão. Vamos pôr de parte os números envolvidos. Sabemos que caro ou barato são adjectivos relativos. Da mesma forma o tamanho ou o valor da estimação ou o desejo de ter algum objecto é, no melhor dos casos, subjectivo. Sendo, no pior dos casos, essencial e objectivo como o ar que respiramos ou a água que precisamos de beber. No caso da dentadura do maxilar superior de Churchill vim a saber que havia três próteses dentárias, todas em ouro. Uma foi sepultada com ele, outra encontra-se exposta num museu londrino e a terceira foi fundida. Acho que esta última é a mais interessante. Terá sido para pagar alguma dívida ou será agora o anel de alguém. Qualquer das alternativas parece compreensível. Sobre esta, a quarta, foi o filho do técnico que fabricava os dentes postiços, que pôs a prótese dentária à venda. Julgo que o facto de estar na posse dele significa que ou estava para reparar ou era nova e nunca foi usada pelo ilustre desdentado. De uma maneira ou de outra, para mim vale menos que as outras. Mas pronto. Quem a comprou, tem de facto uma prótese dentária de Winston Churchill. Os sentimentos que se podem ter ante a contemplação de tal objecto escapam-me, embora seja um convicto admirador deste grande homem. Aparentemente, a radiografia do tórax de Marilyn faz mais sentido sentimental. É ter literalmente acesso ao interior da actriz. Também é certo que se vêem os contornos das maminhas em repouso. Mas isto só seria importante para aquele que, além de ser tarado sexual, tivesse uma invejável capacidade financeira. Mas mais uma vez, é difícil compreender a importância do souvenir, a não ser saber que não tinha nenhuma costela partida nem cancro no pulmão, sendo ambas as informações totalmente irrelevantes desde 1954, data do exame médico. Contudo, se fosse encontrada uma sandália de Júlio César ou os dentes de leite de Shakespeare, mas sem ADN nenhum, que valores teriam no mercado? Quem compraria estes pertences de tão ilustres personagens? Não sei. Mas é nestas coisas que eu gosto de pensar quando estou de férias. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:14
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO