Quarta-feira, 11 de Agosto de 2010

Houve uma época em que certos objectivos na vida eram indiscutíveis. As mães queriam que as filhas casassem com médicos. À falta deles, que ao menos fossem homens de posses e que não as levassem para muito longe. As filhas, por sua vez, preferiam casar com o primeiro namorado. Os pais esperavam que os filhos não cometessem o mesmo erro que eles e por isso não se deviam casar. Em geral, os filhos acabavam por seguir os passos dos pais e não os seus conselhos. Mas, entretanto, todos sonhavam em namorar com uma hospedeira de bordo. As hospedeiras tinham uma aura especial. Naquele tempo, eram escolhidas sob padrões muito rígidos. Tinham de ser bonitas, falar línguas e ser bonitas. Agora, com os problemas de dispensar pessoal, ainda podemos ver hospedeiras que nos parecem ter sido espectaculares há umas décadas. Contudo, continuam a ter muita pinta. Mas nunca nos passaria pela cabeça a possibilidade de alguma vez terem sido gordas ou não terem jeito para línguas. A Turkish Airlines acabou com mais um mito. Suspendeu 13 hospedeiras por excesso de peso e deu-lhes seis meses para perder os quilos a mais, noticiou o jornal turco Haber Turk. Em bom rigor, também suspenderam 15 comissários de bordo, mas isto não interessa. O drama é imaginar que aquele modelo que produziu tantas fantasias nos passageiros, ou mesmo em pessoas que nunca viajaram de avião, ficou completamente conspurcado. Não me interpretem mal. Não tenho nada contra as gordas nem sequer contra os gordos. Eu próprio já tenho uns quilinhos a mais. Mas assim como não imaginamos Desdémona, Julieta ou Sofia Aparício gordas, nem cantoras de ópera magras, saber que havia na Turkish Airline hospedeiras obesas partiu-me o coração. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:07
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