Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

Acreditem ou não, ainda há profissões que só existem e só se aprendem com a confiança dos empregadores. Nunca há garantias quando se empregam as pessoas mas, caso mostrem dedicação e responsabilidade ficam para toda a vida. Ou, pelo menos, até que o empregado queira. Estou a falar das empregadas domésticas e das amas. Agora querem regulamentar as amas. Aparentemente, isto acontece porque nos últimos quatro anos, chegaram à Provedoria de Justiça dez queixas por maus-tratos e falta de higiene e segurança. Com esta desculpa, o gabinete de Helena André especifica ser necessário definir as regras de funcionamento e, entre outras exigências óbvias como a eficiência, as questões relacionadas com a responsabilidade civil, o enquadramento na Segurança Social e a sua associação ao Código Contributivo. É uma realidade que este tipo de trabalho escapa a vigilância fiscal, mas duvido que seja uma maneira de assegurar o bom cumprimento do delicado trabalho de cuidar das crianças. A única maneira de confiarmos as crianças a uma pessoa que vive dessa actividade é precisamente a confiança e não as suas habilitações ou a sua observância das obrigações fiscais. Não há maneira de o Estado nos garantir que uma ama é boa para os nossos filhos só porque tem os seus papéis em ordem. É impossível que o Estado seja mais fiável que a nossa vizinha a quem já deixámos as nossas crianças ou a nossa melhor amiga, que cuidou dos nossos sobrinhos insuportáveis. Os bons cuidados das crianças não se podem garantir apenas com definições legais. Se o Estado nos quer proteger dos possíveis abusos, maus-tratos ou incompetência de certas senhoras que se apresentam como amas, seria mais útil que facilitassem câmaras de vigilância ou outras engenhocas do estilo para que nós próprios pudéssemos supervisionar o trabalho. Mas acho um exagero. À falta de uma parente desocupada ou com tempo livre, o melhor será sempre aquela mulher que cuidou dos filhos dos nossos amigos e a recomendaram. Eu sei que é pouco moderno, mas nestes assuntos que incluem as nossas crianças só podemos confiar em quem confiamos, mesmo que não tenha nem habilitações nem experiência e esteja endividada ao fisco até à raiz dos cabelos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:12
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 14 de Agosto de 2010 às 14:14
no outro dia li um delírio do daniel oliveira em defesa da tributação das amas. até fiquei arrepiada!


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