Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

Quando ontem li que uma pesquisa preliminar levou à descoberta de um campo petrolífero no norte do Afeganistão, com a capacidade de 1,8 mil milhões de barris de petróleo, fiquei feliz. Desinteressadamente feliz. Não vai ser por isto que a gasolina vai descer e, mesmo se descesse, nunca seria em Portugal. Talvez em Espanha, mas cá, não. Mesmo que encontrássemos petróleo no Alentejo, tenho a impressão de que nem assim descia. Mas passemos às notícias internacionais, que, como é habitual, são boas. A possibilidade de o Afeganistão passar a ser um rico país de produtores de petróleo é uma excelente notícia para todos os que estão fartinhos dos talibãs e dos seus amigos igualmente psicopatas. Como é sabido, este exótico país contribui com 79 por cento da produção mundial de ópio. Vinte por cento dos lucros dos produtores afegãos vai direitinho para aqueles estudantes austeros do Alcorão. Esse dinheiro, que não é assim tanto – quinhentos milhões de dólares anuais – é então repartido entre os senhores da guerra e os produtores das soníferas papoilas. Não sobra nem um cêntimo para mais ninguém. Suponhamos que se confirmam estas informações petrolíferas. O dinheiro dos floristas seria apenas uma mão-cheia de trocos ao lado do dinheirão que pode dar a exploração dos poços de petróleo. Sabemos que os países ricos podem produzir assassinos em série e, no máximo, líderes terroristas como o famoso Bin Laden. Mas os chamados bombistas suicidas, não. Normalmente são pobres ou de classe média, mas ricos há poucos. Por outro lado, ficamos na dúvida se um talibã com carcanhol seria assim tão intratável como são os mortos de fome dos talibãs actuais. Há países produtores de petróleo que seguem as regras islâmicas mas que não andam por aí a cortar os narizes das suas mulheres por dá cá aquela palha ou qualquer pequena desobediência. Um Afeganistão rico de certezas pode ser mais compreensivo, menos misógino e, sem dúvida, muito menos neurótico. Claro que há sempre o perigo de o Paquistão ter ciúmes. Mas até pode dar jeito. O maior perigo pode chegar a ser a própria estupidez dos talibãs. Dado que foram capazes de dinamitar os Buddhas de Bamiyan, em 2001, não era disparatado pensar que fariam o mesmo com as jazidas de petróleo. Mas, graças a Deus, sabemos que onde há petróleo, aí estará a comunidade internacional para o proteger. A não ser que deixem a BP a tratar da exploração. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:27
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