Terça-feira, 17 de Agosto de 2010

Tenho recebido protestos por não ter comentado o discurso de Pedro Passos Coelho no Pontal, em Quarteira. Devo esclarecer que estou habituado a ouvir protestos e raramente me deixo influenciar por eles. Prefiro, aliás, que protestem porque falei de algum tema. Só a minha família materna é que se queixa de que não falo de temas que lhe parecem fundamentais como a festa algarvia dos social-democratas. Tenho pena mas não estou com pachorra. As minhas tias vão ficar desgostadas, mas se não posso contentar a direita nem a esquerda, ainda menos contentarei a malta do PSD que, em teoria, tem um bocado dos dois lados. Aliás, odeio o Algarve no Verão. Mas como dizia ontem, graças a Deus que há vida noutros países. Por exemplo, em Israel. Sei que muita gente ainda tem relutância em reconhecer a existência deste estado, mas pior para eles. Não é por isso que deixa de ser um país fascinante. Segundo o diário Haaretz, os diplomatas estão revoltados com os serviços secretos por terem organizado a visita de ontem do primeiro-ministro Netanyahu a Atenas, num momento de greve geral do corpo diplomático, que se negou a preparar as reuniões com as autoridades gregas. A greve foi causada pelo impasse a que chegaram as negociações salariais. O boicote dos diplomatas à Mossad apela aos diplomatas para que não prestem qualquer serviço aos agentes dos serviços secretos, a menos que se trate de «vida ou morte». Entre as medidas punitivas estão a de não conceder vistos para agentes credenciados ou seus familiares, não devolver despesas, não conceder apoio logístico nem passaportes diplomáticos e paralisar a prestação de todos os serviços burocráticos. Imaginam James Bond a ficar sem passaporte ou dinheiro para as despesas no meio de uma missão? Era possível a CIA ficar sem apoio das autoridades americanas no estrangeiro? Que o corpo diplomático castigue a falta de solidariedade sindical dos serviços secretos, independentemente dos problemas que pode causar na segurança, é um exemplo da solidez dos direitos dos trabalhadores israelitas. Ao fim ao cabo, os diplomatas são trabalhadores e os espiões também. Não percebo porque é que a esquerda teima em não gostar de Israel. Tenho de falar com o Carvalho da Silva e com o Jerónimo para me explicarem. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:29
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