Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010

Eu sei que ainda há pouco tempo falei dos talibãs. Pois hoje são novamente notícia. Alguém pode julgar que estou obcecado com eles ou que não gosto nada deles. Devo esclarecer que é mentira. Não estou obcecado. Mas é verdade que não gosto nada deles. A questão de hoje é que os talibãs manifestaram a sua disposição de cooperar com as forças internacionais e os defensores dos direitos humanos para investigar a morte de civis no Afeganistão, poucos dias depois de a ONU ter acusado os extremistas de responsabilidade na morte da maioria das vítimas. Segundo a ONU, os talibãs matam em média sete vezes mais que as forças internacionais e afegãs. São responsáveis por 75 por cento dos ataques que acabam com mortes e feridos entre a população civil. Não é preciso lembrar a minha opinião sobre a malta da ONU: é uma cambada de inúteis. E não é por causa destes números condenatórios dos estudantes de teologia afegãos que vou mudar de opinião. Até concedo que possam ser números propagandísticos e, portanto, exagerados. Contudo, é curioso que os talibãs se preocupem agora com a imagem. Obviamente, é mais barato convidar uma comissão internacional que contratar a Young & Rubicam ou a Ogilvy. Mas já é um sinal de progresso. Agora imaginemos que a tal comissão composta pelos representantes especiais da Conferência Islâmica, das agências da ONU de direitos humanos, e de representantes das forças da NATO e do emirado islâmico do Afeganistão aceita o generoso convite. Chega ali e verifica nas zonas sob o controlo talibã que não senhor, que eles não matam civis. Pode ser que morra um ou outro por causa da septicemia. É sabido que uma mão ou um nariz mal cortados ou um chicote não esterilizado causam infecções lamentáveis. A comissão vai voltar à sua vida rapidamente. Por outro lado, se essa comissão porventura encontrar provas de culpabilidade na morte de civis, alguém me pode dizer o que poderão fazer a esses senhores? Não acredito que os possam julgar em Haia. Um julgamento sumário seria recomendável mas pouco provável de executar. Uma multa? Talvez, mas são uns desgraçados. Só se pagarem em ópio. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:33
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