Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

Segundo a organização não-governamental Global Footprint Network os habitantes da Terra esgotarão amanhã os recursos naturais que o planeta lhes proporciona anualmente. Significa isto que passaremos a consumir e a viver dos créditos respeitantes ao próximo ano. É uma notícia dramática para todos. Enfim, para quase todos. Os alemães, os holandeses, e toda essa gente do Norte devem estar em pânico. Mas há pelo menos um lugar na Europa que não se deixa vir abaixo. Irredutíveis, os portugueses estão preocupados, sim, mas não derrotados. Viver sem recursos é o nosso nome do meio. Ou o nosso middle name, como diria um bife. Nós sabemos melhor que ninguém o que é viver a crédito, com os nossos recursos esgotados. Há anos que, mensalmente, nos fomos treinando. Agora é o momento de mostrar a nossa capacidade de liderança e pôr a nossa experiência ao serviço do bem mundial. Para começar, é preciso saber quem lidera os recursos naturais do mundo. Se não for um parente afastado da nossa mulher, devemos ter um amigo que ao menos conheça um familiar do senhor responsável. Depois é preciso colocar um homem da nossa confiança a trabalhar com ele e de perto. De preferência alguém com experiência e leal. Assim de repente, vêm-me à cabeça vários nomes. Armando Vara, Jorge Coelho, por exemplo. Mas também podem ser outros combatentes administrativos, como Basílio Horta ou Ângelo Correia. Gente capaz não nos falta. Estando o nosso homem próximo do senhor responsável pelos recursos naturais do planeta, é tudo mais fácil. No entanto, devemos evitar que pessoas conflituosas se aproximem das chefias. Não podemos deixar que Durão Barroso dirija nenhuma comissão. Ainda é capaz de dar prioridade aos países que menos precisam ou de ir ao último momento para um lugar mais destacado noutro planeta. Louçã também está fora de questão. Ninguém quer que estatize o planeta nem que aumente os impostos sobre a falta de recursos. Uma vez posto o nosso homem de confiança no lugar certo, teremos meio caminho andado. A primeira coisa a fazer será então pedir um empréstimo a outro planeta mas salvaguardando o direito de passar cheques a 180 dias. Uma vez estabelecidas as condições dos empréstimos dos recursos naturais interplanetária, é só deixar andar. Daqui a dez anos encontramos uma maneira de vender a dívida a outra galáxia. A partir daí, e tendo em conta que os cheques serão datados em anos-luz, estamos safos. O mundo, agradecido, reconhecerá por fim o nosso valor. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:35
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