Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010

É provável que esteja a ser influenciado pela vida de dolce fare niente, mas as movimentações e as declarações políticas suscitam uma atmosfera de revista cor-de-rosa. Neste querido mês de Agosto – nome roubado ao festival a que o filósofo José Gil chamaria um não-festival, por a sua presença ser reparada como ausente fora dos limites do nosso corpo – as secções de política na imprensa parecem páginas de fofocas. Não vale sequer a pena mencionar o elogio na Visão do peito bronzeado a contrastar com a brancura da camisa branca de Passos Coelho. Foi apenas a cereja no cocktail do Pontal. Aliás, tout le monde que é monde concordou que a tradicional festa algarvia foi uma maçada. Mas que provocou ciúmes nos históricos rivais das laranjas, que são as rosas socialistas, lá isso provocou. Passos Coelho, de quem se pode dizer tudo menos que gosta de jantaradas de borla, foi, precisamente, à Madeira. Alberto João Jardim, que sempre disse cobras e lagartos do garboso rapaz, recebeu-o de braços abertos e – espero que estejam todas sentadas – até lhe predisse um belo futuro como primeiro-ministro. Triste, mas mesmo triste, ficou o Sócrates, que depois de anos de quezílias por ninharias com Alberto João, resolvidas graças, salvo seja, à desgraça pluvial da região, conseguiu uma amizade única que todos, mas todos, socialistas ou social-democratas, invejam. Sim, porque é esta a palavra: invejam. Terá custado uma fortuna, mas o que importa é a amizade que fica, pois a amizade é para sempre. No entanto, Sócrates não ficou calado. Pode dizer-se tudo dele, mas nunca ninguém poderá dizer que fica calado. Em Mangualde, que não é tão chique como Azurara da Beira, o José retorquiu ao Pedro, Passos Coelho, claro, e disse que bem pode ficar com a sua revisãozinha constitucional que não a troca pelo seu orçamento, que é muito maior. E que, ao contrário dos boatos, a despesa do Estado não está nada descontrolada. Pode estar um bocadinho doida, mas muito menos do que julgam. O Jerónimo, que não gosta de ficar de fora, até disse que o Pedro é um pantomineiro, porque é só queixas e críticas, mas acaba sempre com o Sócrates. Ainda falta uma semana para acabar este mundano mês de Agosto e ninguém sabe quem vai ficar com quem. E cala-te boca!, não vá repetir o que o Bloco anda a dizer por aí. E o CDS, esse sonso, a desconversar com a Educação e os incêndios. Obviamente ninguém gosta de não ser convidado, mas não também exageremos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:25
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