Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010

Foi apresentado o projecto Self-Prevention. A ideia, exposta por um agrupamento de cooperação territorial que abrange 187 entidades espanholas e portuguesas, consiste na reintrodução de 150 mil cabras, nas zonas raianas dos distritos da Guarda, Bragança, Zamora e Salamanca, como "limpadores naturais" dos campos. É incrível que uma ideia tão simples só agora é aplicada de forma organizada, mas mais vale tarde que nunca. O mais interessante é que esta história de um contrato com animais é a base do sucesso com os nossos cães e gatos. Os cães são lobos falhados que preferiram a comida de borla à vida selvagem e livre. Há uma teoria interessante, e não contraditória, que diz que não foi pela comida no sentido alimentar da palavra, mas pela vida afectiva no seu sentido mais porco. Numa alcateia, só o lobo líder tem direito ao número de fêmeas que lhe apetecer. Os losers dos lobos que não podiam sacar nenhuma loba desistiam e tentavam engatar perto dos humanos, onde sempre se encontrava alguma fêmea, ela sim, apenas com fominha. Com os gatos, a lenda conta que os egípcios, em troca de os terem como caçadores de ratos nos silos, os reverenciavam como deuses. Não interessa se as historias são verdadeiras. O que conta é que foram um sucesso. Pergunto-me se esta nova associação com as cabras poderá ter um final com êxito idêntico, daqui a uns cinco mil anos. Sabemos que as cabras desde tempos imemoriais são amadas até à loucura por muitos pastores solitários ou simplesmente carentes. Dizem que têm um encanto insuspeito e são uma companhia generosa e desinteressada. Agora que podem chegar a ser decisivas na sobrevivência das nossas florestas e de muitas vivendas, não é disparatado que se comece a ter cabras nas casas de verdejante e frondosa vegetação. Quem poderá resistir num cenário idílico, porque bucólico, ao encanto do olhar de uma cabra? À sua elegância no pasto, a que alia o carácter solidário no cuidado intencionalmente preventivo? Imagino a inveja dos urbanos e suburbanos dos felizardos que vivem com as suas cabras nas agora seguras zonas florestais. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:29
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO