Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

No domingo passado houve uma manifestação de humoristas no Brasil. Os sortudos reuniram-se em Copacabana para protestar contra uma lei eleitoral que proíbe sátiras com candidatos durante o período de campanha eleitoral. A lei eleitoral diz que é proibido as emissoras de TV ou de rádio “usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito”. A proibição vale tanto para a programação normal, como programas cómicos e para os noticiários e os programas de informação. Suponho que estamos todos de acordo que isto é um disparate pegado. Deixo para outras pessoas mais sérias a resposta à pergunta: porque é que vieram agora desencalhar uma lei de 1997 que nunca foi aplicada? Também não vou tirar ilações malévolas. Mas como é que precisamente sob um governo dirigido por um homem do povo, como é, ou foi, Lula, se decidiu aplicar esta lei? Prefiro falar de coisas óbvias, como por exemplo, que os políticos brasileiros não abriram a boca sobre este acto de censura idiota. Eu percebo que não tenham mexido um dedo ante a possibilidade de não serem enxovalhados, imitados, caricaturados ou simplesmente gozados. Muitos dos nossos políticos devem estar com alguma invejazinha de não terem sequer uma lei vagamente parecida, escondida na poeira das leis esquecidas. Percebe-se o silêncio dos futuros e actuais representantes do povo brasileiro. As sondagens valem o que valem, mas uma boa piada não tem preço. Só não compreendo como se vai implementar uma lei como esta. O humor tem maneiras que a razão desconhece. Tenho a certeza de que entre a frivolidade carioca e o snobismo paulista, a vigilância vai ser sorteada. Infelizmente, não tenho o texto da lei, mas não duvido de que terá algum buraco. Por outro lado é uma oportunidade óptima para fazer mártires e vítimas. Nenhum humorista vai deixar passar a ocasião de ser perseguido pela justiça. Por agora, está estipulada uma multa máxima de cem mil reais, pouco mais de quarenta mil euros, para os sátiros infractores. Se pensarmos na publicidade num país de cem milhões de habitantes até acho baratucho. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:32
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